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Informação17/04/2020 | 15h38Atualizada em 17/04/2020 | 15h41

Pediatra de Bento Gonçalves cria e-book para orientar os pais sobre o coronavírus 

Material gratuito esclarece sintomas e dá dicas de higiene correta e alimentação durante o isolamento

Pediatra de Bento Gonçalves cria e-book para orientar os pais sobre o coronavírus  Reprodução / Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução / Reprodução

Se a pandemia de coronavírus gera ansiedade e incerteza nos adultos, imagina nas crianças que, de uma hora para outra, foram tiradas das atividades tradicionais e confinadas dentro de casa. Para auxiliar os pais nessa difícil missão de explicar o cenário atual para os filhos, a pediatra de Bento Gonçalves Ângela Rech Cagol desenvolveu um e-book com dicas e informações sobre a covid-19.

Com 18 páginas coloridas e ilustradas, o e-book conta como o vírus surgiu, dá dicas de prevenção, detalha os sintomas e oferece recomendações seguras sobre quando os pais devem buscar ajuda médica, entre outras informações importantes. O material é indicado para todas as idades e também serve as gestantes.

— O livro foi idealizado para orientar os pais sobre qual o melhor momento para falar sobre esse vírus para os seus filhos, como orientar os hábitos de higiene, como usar a máscara. Quando pensei no e-book, pensei nos pais sentando com os seus filhos, lendo juntos, porque o material é bem didático — explica a profissional, que é especializada em pediatria oncológica.

O material pode ser acessado gratuitamente pelo link https://bit.ly/2RI8FbU. Aproveitamos para perguntar Ângela quais as principais dúvidas dos pais. Confira:

Pediatra Ângela Rech Cagol criou e-book para auxiliar ps pais com informações sobre o coronavírus. <!-- NICAID(14479707) -->
Médica tem especialização em pediatria oncológicaFoto: Raquel Fronza / Divulgação

Pioneiro: As crianças são menos suscetíveis ao coronavírus?

Ângela Rech Cagol: Não. As crianças podem se contaminar tanto quanto os adultos, até em função disso que as escolas foram fechadas. Uma vez contaminada, a criança tem uma sintomatologia bastante leve. Geralmente, elas passam por um quadro de gripe, com tosse, febre _ que pode dar ou não, prostração, diarreia. Elas acabam resolvendo o quadro praticamente sozinhas e, muitas vezes, sem complicações. Outra teoria que existe é que as crianças, por terem o sistema imunológico mais imaturo, não produzem a reação inflamatória que o vírus desencadeia nos adultos.

Suspeitando que meu filho esteja infectado, quando é o momento de buscar assistência médica?

Nessa situação, a gente precisa, primeiramente, manter essa criança em isolamento. Não há necessidade de procurar por atendimento médico se a criança estiver bem, sem febre, com sintomas leves. Se a mãe mesmo assim ficar preocupada, pode entrar em contato com o pediatra da criança e tentar uma consulta. Se houver piora clínica, com falta de ar, febre alta, pode ser decidida a necessidade de hospitalizar (a partir da orientação médica).

Como saber se o meu filho está com falta de ar? Há uma contagem de respirações por minuto. Como funciona?

A gente percebe claramente quando a criança tem falta de ar. Existem dois sinais importantes. Primeiro: a criança começará a afundar a pele na fúrcula, que é um ossinho que fica no pescoço. Esse afundamento é um sinal que a criança possa estar em sofrimento respiratório. Ela também vai afundar as costelas. Segundo: os pais vão perceber que a contagem de movimentos respiratórios por minuto é superior a 60. Nesses casos, a orientação é buscar atendimento médico.

As crianças que têm doenças crônicas, como asma e diabetes, exigem atenção especial?

Assim como os adultos diabéticos e asmáticos são grupo de risco, a criança com estas doenças também é. Uma vez infectadas pelo coronavírus, essas crianças merecem uma atenção especial e merecem um atendimento especializado, muitas vezes em nível hospitalar.

Por que é importante falar com as crianças sobre a covid-19? Como os pais podem abordar esse assunto sem transmitir pânico ou gerar ansiedade nos pequenos?

Acho importantíssimo que os pais expliquem para os seus filhos o que é o coronavírus, expliquem como podemos nos contaminar, o motivo de eles não estarem indo à aula e nem visitando os avós. Expliquem que eles não estão de férias e isso tudo não é uma brincadeira. Eles têm responsabilidade tanto quanto os adultos em zelar pela higiene e autocuidado. E, principalmente, falar que tudo vai passar.

O que fazer para aumentar a imunidade das crianças? Há dicas de alimentação e de exercícios que os pais podem aplicar em casa?

Este é o momento de muita informação e muita fake news. Vejo que as mães estão querendo dar vitamina D aos filhos. Acho que a gente tem que ponderar o uso, buscar alternativas alimentares mais saudáveis para aumentar o sistema imunológico. Também acredito que dá para bolar brincadeiras nas quais as crianças movimentem o corpo, porque elas não podem ficar o dia todo deitadas ou sentadas no sofá vendo TV. É importante também evitar salgadinhos e outros alimentos ultraprocessados, porque não agregam em nada à imunidade delas.  

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