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Projeto 18/04/2020 | 13h29Atualizada em 18/04/2020 | 14h44

Caxiense convida pessoas a escreverem cartas para manter esperança durante isolamento social

Saiba como participar do projeto @historiaspenduradas

Caxiense convida pessoas a escreverem cartas para manter esperança durante isolamento social Débora Bregolin/Divulgação
Saiba como participar do projeto @historiaspenduradas Foto: Débora Bregolin / Divulgação

Esperança, acreditar no melhor, almejar, sonhar. Esperar, aguardar até que tudo esteja bem. Pendurar histórias, que foram suspensas, adiadas, mas estão ali à espera de se tornarem reais, de serem vividas. À espera de um amor, de um novo emprego, de um relacionamento que iria começar, de um projeto, a formatura, o casamento, um jogo de futebol, um reencontro e um recomeço. 

Pensando em todos os momentos que estão suspensos durante a epidemia de coronavírus, a caxiense Débora Bregolin, 32 anos, lançou o projeto @historiaspenduradas. A ideia é contar histórias, em cartas escritas para si mesmo, e encaminhar para ela. Os relatos, anônimos, serão sobrepostos a fotografias produzidas pela Designer de Moda, desde o primeiro dia de isolamento, para contar histórias. Essas histórias serão divulgadas nas redes sociais: 

- Comecei o isolamento desde um pouco antes das restrições porque eu moro e trabalho em Bento Gonçalves e vim ver meus pais em Caxias do Sul, e como as aulas foram canceladas eu fiquei na casa deles. Eles moram em um condomínio e na frente tem um outro residencial, e eu fico observando as áreas de serviço onde os varais de estender roupas estão pendurados. Eu comecei a fotografar essas janelas todos os dias, em todos os momentos. São várias fotos de varais vazios ou cheios de roupa estendidas. 

Pesquisadora de Tendências e Comportamentos, ela faz análises culturais. Débora explica que a função do varal sempre a encantou.

- Essa técnica é a etnofotografia que é fotografar o quotidiano observando as imagens. O varal me encanta porque eu posso narrar as histórias das pessoas pelas roupas que estão penduradas. A roupa conta a história do dia a dia de cada pessoa, e eu não conheço essa pessoa - afirma. 

ESCREVER CARTAS PARA MANTER A ESPERANÇA 

Observando esses varais, a designer pensou em convidar as pessoas a escreverem, fazendo a relação entre as roupas estendidas e recolhidas e a espera e incerteza provocada pela epidemia. 

Caxiense convida pessoas a pendurar histórias para manter esperança em meio a pandemia <!-- NICAID(14481265) -->
Observando varais ela pensou em escrever sobre histórias que estão suspensas, penduradas, à espera de acontecer Foto: Débora Bregolin / Divulgação

- O foco são os varais de roupa, é o que está estendido, o que está pendurado, porque este é o momento em que estamos vivendo. Podemos fazer uma analogia, estamos pendurado algumas histórias para tirar dali depois de um tempo, estamos dando uma pausa, e vamos deixá-las ali na certeza de ter a chance de viver novamente -  conta ela. 

Ela lembra que é possível dar vida a essas histórias: 

- As pessoas precisam desabafar, falar e então porque não escrever para si mesmo e dar vidas a histórias que estão suspensas como as roupas que estão penduradas em um varal? São histórias prontas para serem vividas. Vamos nos abraçar, nos afagar, é um afago de esperança. É um momento de pensar no pós, uma esperança para daqui um tempo, essa é a mágica da espera. Esperar também tem a agonia da incerteza, por não saber, quando e como irá acontecer, mas o amanhã virá, e a magia está em saber que vamos sair dessa, acreditar nisso. 

A ideia é unir trechos das histórias narradas por diversas pessoas com as fotos das janelas produzidas pela designer:

- Acaba virando uma sobreposição porque a história que a pessoa me contou não é a história daquele varal, daquela pessoa, mas podia ser da pessoa que está naquela casa. As cartas são anônimas e não vou publicar inteiras, são trechos perdidos de cartas que vão compor as imagens. Criei um Instagram @historiaspenduradas onde estou postando e já recebi cartas lindas, que nos enchem de esperança _ finaliza. 

Sobre o projeto

O projeto surge da vontade de observar e do desejo de falar sobre o que ficará pendente, o que ficará para depois, sobre os planos que deixamos pendurados e as roupas que observamos nos varais. Sobre as narrativas que ninguém conta e que as pessoas vivem, sobre tudo o que desejamos para quando tudo isso passar e sobre tudo o que deixamos de viver. Sobre o que sentimos e sobre o que nem sabemos que ainda vamos sentir. Escrever uma carta para nós mesmo é como ganhar um afago de presença no presente que se conecta com um futuro próximo de esperança e sonho _ descreve Débora. 

Quer fazer parte? 

Envie sua carta, endereçada somente a você e para você, aqui, ela será postada em trechos e anonimamente. As janelas fotografadas diariamente desde o primeiro dia de isolamento, ilustram as narrativas e histórias que deixaremos penduradas por tempo ainda desconhecido.

Participe: 

Mande sua história para o insta @historiaspenduradas

Confira algumas frases e trechos de cartas: 

"Estou tomando um café e esperando por mim. Deixei de vir em 2019 e não tenho ideia de quando voltarei " 

"Quando passar, talvez, consiga. Mas o fato é que esperar dá um certo desconforto. A gente quer na hora. Mas, pensa bem, talvez haja uma inteligência embutida nesse vácuo"

"Eu já nem sei qual dia é hoje, mas eu sei que quando eu ler isso de novo, o dia que foi não importará mais, sei que estaremos bem e já procurando abraços e conforto nos que amamos"

"Oi, bonita! E aí, sobrevivemos a quarentena! Quem diria? Ontem mesmo (dia anterior a essa escrita) tu teve uma crise de carência e achou que não ia sobreviver. Igualzinho aquela crise de ansiedade que tu achou que ia te matar. Igualzinho aquela relação que te sufocava e tu nem sabia. Igualzinho aquelas paredes que te prendiam de ti e tu nem conseguia gritar. Igualzinho aquele destino que te trouxe, mas não te cabe. E aí, o que tu fez? Tu sobreviveu. E reviveu."

"Onde saberemos quem somos ou quem desejariam ser? Seguimos a natureza do serviço ao qual tentamos não perder o viço. Dói saber? Talvez doa mais não crer no imprevisível destino, no concreto designo, no discreto infortúnio do repetido caminho. Ainda que o destino intermitente tome a frente e as rédeas do presente a mente vagueia entre o futuro e o passado tentando adivinhar o que virá pela frente."

"Falo disso, de obstáculos. E de não pode ver. Ao menos por ora, de novo, não consigo. Mas há de. Sei que sim. Quero saber que sim. É disso que se trata quando espreito. E confio. E sei que as horas vão seguir ininterruptas. Mas, depois, antes que comece tudo de novo, espero te ver ali."

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