Artistas caxienses contam como tentam se adaptar à nova realidade temporária, após a pandemia - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Cultura25/03/2020 | 08h00Atualizada em 25/03/2020 | 08h00

Artistas caxienses contam como tentam se adaptar à nova realidade temporária, após a pandemia

Rifa para garantir recursos, aulas gravadas para segurar os alunos e aprimoramento à distância são algumas das alternativas 

Artistas caxienses contam como tentam se adaptar à nova realidade temporária, após a pandemia Arquivo pessoal/Divulgação
O acordeonista Robison Boeira é um dos participantes de uma rifa da comunidade nativista Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

 A imposição da quarentena como forma de prevenção à saúde durante a pandemia do Coronavírus atingiu em cheio a comunidade cultural. Especialmente artistas, que garantem seu sustento no palco ou nas galerias e muitas vezes complementam a renda com aulas, tendo agora suas atividades prejudicadas durante o isolamento social. Para evitar o desânimo, há duas saídas: criatividade para não se distanciar do público e união para tentar minimizar as perdas.

Um grupo de artistas da cena nativista, da qual faz parte o acordeonista caxiense Robison Boeira, seguiu pelo caminho do amparo mútuo. Uma grande frente foi criada para pensar alternativas de garantir uma renda aos que estiverem passando por dificuldades, e disso saiu uma rifa solidária, cujos números serão vendidos por uma plataforma digital (mais informações na página Confraria da Música RS, no Facebook, e @confrariadamusicars, no Instagram). A iniciativa tem como prêmio principal uma gaita, e distribuirá outros brindes como violão, chapeu, cuia, bota e bombacha, todos doados por nomes representativos do meio regionalista, como Renato Borghetti, Luiz Carlos Borges e João Luiz Correa. 

- Infelizmente, esse momento delicado irá atingir a todos, por isso temos que estar alinhados para se ajudar, mais do que nunca. Iniciamos uma rede de contatos que cresceu muito rápido e chegou a essa Confraria, que está elaborando ações, como a rifa, e também o desenvolvimento de uma plataforma para oferecer aulas online e assim garantir algum recurso - destaca Robison, que teve shows e reservas de datas canceladas até julho, além de perder temporariamente alguns alunos de gaita, que não têm como fazer aulas pela internet.    

O artista plástico caxiense Christian Dilima, que teve a sua primeir amostra individual da carreira adiada por conta do Coronavírus, conta como tem se virado nos dias de isolamento.<!-- NICAID(14459572) -->
Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

A onda de cancelamentos por conta da Covid-19 também adiou sonhos, como o do artista plástico caxiense Christian Dilima. Aos 25 anos, iria estrear em maio sua primeira exposição individual, a compilação de telas pintadas em carvão “Das Costas de um Cavalheiro”, no Centro de Cultura Ordovás. Funcionário do Museu dos Capuchinhos, que também está com as portas fechadas, Dilima tem aproveitado o recesso forçado para se aprimorar, principalmente fazendo cursos na internet.   

- O trabalho do artista não é só pegar uma tela e sair pintando. Por trás disso há muita pesquisa, muita técnica, e a gente pode aproveitar esses momentos para isso. Estou fazendo cursos do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), sobre conservação preventiva e sobre como montar uma exposição, além de alguns cursos online da plataforma da UCS - conta o artista, cujas criações chama, a atenção pela expressividade de rostos que oscilam entre a melancolia e o desespero. 

A professora de danças orientais Renata Dalla Rosa conta como tem se virado durante a pandemia do Covid-19<!-- NICAID(14459613) -->
Renata Dalla Rosa, professora de dança. Hora de passar seus conhecimentos por vídeoFoto: Arquivo pessoal / Divulgação

Quem também busca alternativas em meio ao cenário preocupante são as escolas voltadas para o ensino da arte. Para não perder alunos, a saída mais rápida foram as aulas através de vídeos, ao vivo ou gravados. Formado há três anos, o Centro de Danças reúne três escolas de Caxias, a Hayet, de danças árabes, a La Serrana, de flamenco, e a Oito Tempos, de dança de salão. Ao todo, são 19 professores e 260 alunos com as atividades paralisadas desde o último dia 16. Para uma das sócias, Renata Dalarosa, proprietária da Hayet, embora haja a preocupação com o lado financeiro, o momento é de seguir atuante e também de tentar confortar as pessoas com a arte. É o que ela e os colegas têm feito gravando vídeos e disponibilizando para os alunos nos grupos de WhatsApp. 

- É algo que está funcionando. Não somente pensando num retorno financeiro, de não perder alunos, mas é um momento que em que pessoas estão nervosas, tristes, angustiadas, e a gente consegue levar a dança como uma maneira das pessoas brincarem e se distraírem um pouco. Também estou propondo alguns desafios de movimento de dança do ventre que estão bem legais. Estamos tendo esse retorno muito bacana também nesse sentido - conta e professora. 

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