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Comportamento27/03/2020 | 14h57Atualizada em 27/03/2020 | 16h38

Alternativa para muitos durante a pandemia, confira dicas para ter um home office mais produtivo

O Almanaque deste fim de semana traz histórias de caxienses que estão aprendendo a trabalhar no ambiente doméstico e toques de especialistas

Alternativa para muitos durante a pandemia, confira dicas para ter um home office mais produtivo Franciele Eichelberger Granada/Divulgação
O professor de Educação Física Tiago Frank Foto: Franciele Eichelberger Granada / Divulgação

Que cena surge à mente quando ouvimos falar em sala de aula? Provavelmente, um ambiente espaçoso, com uma porção de classes enfileiradas e um quadro negro à frente. Mas nos últimos dias, o local de trabalho do professor Tiago Frank, 37 anos, tem sido bem diferente. É no escritório instalado na sacada do seu apartamento, no bairro Petrópolis, que ele tem dado aula para mais de 100 estudantes da graduação em Educação Física da UCS.

A universidade retomou as aulas na última segunda (23), após uma semana sem atividades. Para os professores, a orientação foi manter o calendário letivo na medida do possível, recorrendo à tecnologia. Desde então, os encontros vêm sendo feitos por videoconferências na plataforma Google Hangouts Meet, nos mesmos horários em que eram realizados presencialmente.

– Nunca tinha dado aula neste formato, mas tenho considerado uma experiência positiva. Diante da necessidade de ficarmos em casa, é uma ferramenta que está cumprindo nossas necessidades, pelo menos a curto prazo. Se continuar por muito tempo, temo que possa comprometer alguns aspectos pedagógicos, porque tem situações que só são possíveis no contato olho no olho – avalia o professor.

Ao longo da semana, Frank leciona para seis turmas, em disciplinas como Educação Física Adaptada, Estágio, TCC e Basquetebol. O índice de presença, conta, foi um dos pontos que mais chamaram atenção na primeira semana de home office:

– Tive turmas com 100% de frequência. E a interação com a galera está bem interessante. Tenho impressão que eles estão se manifestando mais pela internet do que nas aulas tradicionais.

Para orientar a comunidade acadêmica, a UCS criou um protocolo de contingência das atividades, com informações sobre a sequência do semestre. Uma das definições diz respeito à adoção do modelo de aulas síncronas, ou seja, quando é necessária a participação simultânea de estudantes e professores num mesmo ambiente – no caso, o virtual. É um sistema que difere das disciplinas EAD, onde o professor atua mais como tutor, disponibilizando materiais e tirando dúvidas via chat.

O clima de quarentena pode até ser pesado, mas trabalhar em casa também tem suas vantagens. No caso de Frank, é a companhia da esposa e do filho que ajuda a aliviar a tensão.

– O Pedro tem 1 ano e quatro meses, mas já promovi ele a monitor da turma (risos). Inclusive já fez uma participação pela webcam. Os alunos adoraram. Afinal, quando liga a câmera, você está abrindo as portas de casa. Nós estamos recebendo os estudantes nas nossas casas – constata.

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Uma saída para o ensino, porém provisória

Professora Francine Iris Tadiello faz home office durante quarentena<!-- NICAID(14462001) -->
O escritório caseiro da professora de Literatura Francine Iris TadielloFoto: Francine Iris Tadiello / Divulgação

Uma daquelas “resoluções malucas de fim de ano”, como define a professora de Literatura Francine Iris Tadiello, era se aventurar na produção de conteúdo para as plataformas digitais, dentro da área que atua desde 2017. Não foi com o tempo e o preparo, muito menos o contexto, que imaginava, mas a pandemia do coronavírus a fez acelerar o processo. Desde a última quarta-feira, Francine utiliza redes sociais e plataformas de distribuição de conteúdo educacional em vídeo para oferecer aulas aos alunos do curso pré-vestibular e das duas escolas onde leciona.

Rodeada por algumas pilhas de livros, que oferecem o caos necessário à inspiração do profissional de humanas, Francine fez da sala do apartamento no bairro Petrópolis o escritório para preparar, gravar e também interagir com os alunos. A experiência, principalmente da interatividade através de “lives”, as transmissões ao vivo pela internet, tem sido satisfatórias. 

– É um desafio pedagógico, mas também de aprendizado. Desde o começo fiquei cheia de dúvidas: como seria a interação dos alunos? Como eles resolveriam as questões? Mas tivemos uma interação muito boa, chegando a ficar duas horas conectados e discutindo os conteúdos – conta.

Francine pondera, no entanto, que há empecilhos no modo de ensino à distância, como velocidade de internet, instabilidade das plataformas e dificuldades de acesso que variam de cada aluno e de cada professor. O que reproduz, no ambiente virtual, a desigualdade que experimentamos enquanto sociedade.

Professora Francine Iris Tadiello faz home office durante quarentena<!-- NICAID(14462002) -->
Francine também utilizou estúdio com "chroma key" como recurso para as aulas gravas em vídeoFoto: Francine Iris Tadiello / Divulgação

– Produzo dentro da minha bolha, consciente de privilégios como acesso à internet, a notebook, smartphone e tantos outros recursos. Sem diminuir os efeitos dos isolamentos sobre ninguém, difícil mesmo está para aqueles professores que não possuem acesso a toda essa tecnologia – alerta.

Sem romantizar a superação em tempos de crise, a professora destaca que, mesmo que a educação e seus profissionais tenham encontrado suas soluções provisórias para garantir o ensino, não se pode perder de vista a importância da aula presencial:

– Ao mesmo tempo em que temos de nos questionar o que vamos aprender desse momento, é preciso ser solidário. E, mais do nunca, proclamar a importância da educação presencial, hoje tão ameaçada. Temos de preservar nossos encontros, conversas olhando nos olhos, dos espaços de afeto e dos professores.

Divã online

Psicóloga Ana Paula Lundgren atende pacientes por videochamadas durante quarentena<!-- NICAID(14461892) -->
Foto: Edie Mello de Oliveira / Divulgação

Até poucos dias atrás, a psicóloga Ana Paula Lundgren, 39, mantinha uma rotina bastante movimentada: acordava às 6h para treinar, seguia para o consultório, retornava para casa ao meio-dia, almoçava, deixava as crianças na escola e seguia novamente para o trabalho. Três vezes por semana, a jornada se estendia até as 20h30min.

Desde segunda-feira, no entanto, o cenário mudou bastante. Com a quarentena imposta pela pandemia de coronavírus, passou a trabalhar de casa. Pela manhã, grava conteúdos lúdicos que envia aos pais dos pequenos pacientes, principalmente “para que a criança entenda que a terapeuta não sumiu”. À tarde, atende adultos por videochamadas de WhatsApp – a modalidade extraordinária foi aceita por apenas 40% dos pacientes, sobretudo os mais jovens.

– Como o consultório é muito importante no tratamento, eu precisei transmutar isso para casa. Não atendo sentada na cama ou comendo na cozinha. Não é algo informal, como as videochamadas que fazemos com nossas avós ou com os amigos. Precisei readequar essa ferramenta para garantir a qualidade do trabalho terapêutico. É um período que tem sido difícil para todo mundo, do ponto de vista psíquico – relata a profissional.

Com 17 anos de experiência na área, a psicóloga acredita que a rotina ajuda a manter as pessoas emocionalmente organizadas. Por isso, os atendimentos online foram marcados para os mesmos dias e horários que os pacientes frequentavam o consultório.

E se conciliar a rotina de trabalho com o tempo livre tem sido um dos principais desafios para quem precisou recorrer ao home office, Ana Paula tem outro componente nessa equação: são quatro filhos de quarentena, com idades entre dois e oito anos. Sem aulas ou atividades extras, é mais energia acumulada para gastar em casa:

– Estou aproveitando mais as crianças, brincando com elas, sendo mãe e profe ao mesmo tempo, já que elas não estão indo para a escola e nem para a escolinha. Meu marido me ajuda bastante, mas quatro crianças são quatro crianças! Tem sido bem desafiador e até um pouco complicado. Ficar em casa obriga a gente desacelerar. É quando você passa a observar muitas coisas que antes não observava, inclusive nos filhos. É um momento que a gente também passa a se observar melhor.

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Dicas para um home office produtivo

Prepare seu ambiente de trabalho
O primeiro passo para ter um home office produtivo é organizar um espaço de casa para as tarefas do trabalho. De preferência, escolha um local confortável, silencioso e bem iluminado. Tente deixar à mão tudo o que vai precisar. E afaste as bagunças ou tarefas domésticas pendentes, que podem atrapalhar o expediente com interrupções.

Planeje seu dia
Faça uma lista das tarefas a serem cumpridas no dia e na semana. Organizar o tempo é fundamental para entregar as demandas no prazo e não desperdiçar tempo.

Evite distrações
Hora de trabalho é hora de trabalho. Deixe para conversar com familiares e brincar com pets após o expediente. A concentração durante a jornada resultará em mais tempo para desfrutar com quem você gosta no fim do dia.

Mantenha os hábitos
Apesar do conforto de estar em casa, tente manter os hábitos de quando era preciso sair de casa para trabalhar. Tenha horários estabelecidos para o início e para o fim da jornada. Tire o pijama e vista uma roupa confortável: isso também ajuda o cérebro a compreender que home office não é sinônimo de férias.

Descanse
Faça pequenas pausas ao longo do dia: levante para tomar água, se alongar ou ir ao banheiro. Também é importante estabelecer um horário de intervalo durante a jornada. Lembre-se: o descanso ajuda a melhorar a produtividade.

Mantenha o trabalho em equipe
Tente manter contato com gestores e colegas de trabalho. Use a tecnologia a seu favor, fazendo videochamadas e organizando as tarefas coletivas e individuais. Mesmo à distância, a troca de ideias é importante para o bom andamento das atividades.

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