Pedro Guerra: não sei andar de bicicleta - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião28/02/2020 | 17h26

Pedro Guerra: não sei andar de bicicleta

Acho que às vezes nós precisamos de alguns tombos (literais mesmo) para sentir que estamos aprendendo

Pedro Guerra: não sei andar de bicicleta Antonio Giacomin/
Foto: Antonio Giacomin

Eu poderia criar uma lista sobre todas as coisas que ainda não aprendi a fazer. E, bem, tenho certeza de que ela seria longa. Mas talvez o item que mais me deixasse frustrado dentre todos seria algo que eu demorei muito tempo para admitir em voz alta, sem medo algum de ser julgado (porque, sim, é quase algo inadmissível), que não sei fazer. Então lá vai: eu não sei andar de bicicleta.

A história é um pouco triste e engraçada ao mesmo tempo. Eu devia ter uns 7 ou 8 anos quando o Natal chegou e os meus pais me perguntaram se eu queria ganhar um videogame (o PlayStation era o sonho do momento) ou uma bicicleta nova (maior, sem rodinhas, coisa de gente grande). Dado o fato descrito acima, acho que você pode adivinhar qual foi o meu pedido para o Papai Noel naquele ano.

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Se eu bem me lembro, a minha lógica de criança era simples: “eu vou ter muito tempo para aprender a andar de bicicleta quando for adulto!”, mas ter um videogame de última geração era um item realmente urgente. Acontece que os anos foram passando e até agora nada mudou. Depois de ter escondido a informação de que eu não sabia andar de bicicleta durante a minha pré-adolescência inteirinha (você sabe, isso seria um “mico” total), a vida adulta enfim chegou e eu tive que me preocupar em comprar algumas coisas mais importantes (uma máquina de lavar, por exemplo).

Não posso negar que não tenha tentado. Certa vez pedi para uma garotinha de uns 10 anos, vizinha da minha prima, a sua bicicleta emprestada. Ela levou algum tempo para entender a minha necessidade (na verdade, ela disse que eu iria quebrar a sua bicicleta), mas no fim ela me emprestou. Consegui andar mais ou menos um metro (não em linha reta, é óbvio) – foi só o tempo de eu desequilibrar e tombar para o lado mesmo. Decidi que aquela era, então, a minha realidade: eu não nasci para andar de bicicleta.

Mas aí pensei que eu também não sei nadar. E nem boiar. Pular corda? Jamais visto. Assoviar, então, nem conte comigo. É... A situação realmente está assustadora.

Então vamos mudar isso. A partir deste texto, fica registrado publicamente que antes do próximo Natal eu vou aprender a andar de bicicleta. E, sim, estou fazendo isso por puro orgulho, por pura teimosia. Acho que às vezes nós precisamos de alguns tombos (literais mesmo) para sentir que estamos aprendendo. E se nunca é tarde para nada como realmente falam, eu vou encontrar o equilíbrio que até hoje adiei e talvez sempre tenha estado tão perto de mim.

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