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Opinião28/02/2020 | 13h00

Nivaldo Pereira: a vez da meditação

Nivaldo Pereira: a vez da meditação Luan Zuchi/
Foto: Luan Zuchi
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Meditação é um assunto em destaque, para além dos círculos de praticantes de técnicas holísticas ou orientais. Da medicina à psicologia, dos esportes aos meios corporativos, não há quem não ateste os benefícios da meditação. É um tema do signo de Peixes, e sua ênfase atual pode ser associada ao longo trânsito do regente Netuno por seu próprio signo. Se a face negativa de Netuno em Peixes aparece nos delírios messiânicos e no embotamento geral da razão, a meditação surge como a mais criativa e curativa manifestação desse mesmo arquétipo. Peixes e Netuno se relacionam ao humano anseio por transcendência.

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No simbolismo do último signo do zodíaco – dois peixinhos unidos mas nadando em sentidos contrários –, revela-se sua natureza dupla e paradoxal. Peixes tanto precisa sintetizar as experiências dos 11 signos anteriores quanto dissolver-se como identidade separada. É o retorno ao oceano de onde um dia emergiu para buscar a si mesmo no mundo. Assim, conectar-se ao que é maior que o humano torna-se imperativo. E essa dimensão transcendente, como um impulso para entregar-se, encontra caminhos que vão do serviço assistencial e compassivo à criação artística, dos escapismos e adições à devoção religiosa, dos mergulhos no inconsciente aos retiros meditativos.

Todos temos Peixes no mapa astrológico, e sua faceta transcendente, em maior ou menor grau, precisa ser canalizada. Até porque a reconexão com a totalidade cósmica cura e equilibra, traz paz interior e amplia a consciência. Peixes já tem uma natural inclinação para o silêncio e a solidão, como se precisasse de um eventual afastamento do mundo ruidoso para completar-se. É preciso encontrar o próprio refúgio ou o espaço de conexão com o sagrado interior. As religiões levam isso ao pé da letra em mosteiros e conventos. E é aqui que entra a meditação.

Antes associado a ritos religiosos, principalmente de matriz oriental, o processo de aquietar a mente a partir da atenção plena na respiração e no presente foi ganhando outros campos de prática. A ponto de hoje seduzir a ciência. Como no caso do ateu Yuval Harari, historiador israelense autor de livros badalados como Sapiens e 21 Lições para o Século 21. Meditação é o título surpreendente do capítulo final deste último. Harari descreve o impacto inicial da prática meditativa: “A primeira coisa que aprendi observando minha respiração foi que não obstante os livros que li e as aulas às quais assisti na universidade, eu não sabia quase nada quanto a minha mente, e tinha muito pouco controle sobre ela”.

Observar a mente pensante sem identificar-se com seu ritmo alucinado é o passo inicial da meditação. Harari segue com suas descobertas: “A coisa mais importante que constatei foi que a origem mais profunda de meu sofrimento está nos padrões de minha própria mente. (...) Aprender isso é o primeiro passo para cessar a geração de mais sofrimento”. O autor confessa que, sem a clareza e o foco que a meditação propicia, não teria conseguido escrever seus livros de sucesso. Hoje, Harari medita durante duas horas por dia. Ah, o signo dele é Peixes!

Ao contrário da crença comum, meditar não significa somente ficar imóvel em posição de lótus. Há incontáveis técnicas dinâmicas, para meditar no trabalho, no trânsito, no banho... Nessa era neurótica, tonta por estímulos externos, voltar-se para dentro e encontrar o próprio paraíso é uma grande bênção pisciana. Bobeira é não valer-se dela.

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