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Opinião24/01/2020 | 13h30Atualizada em 24/01/2020 | 13h30

Nivaldo Pereira: chuva de luzes

Em nossa linguagem, essa palavra evoca água, e é comum se pensar que Aquário é um signo desse elemento, e não de ar, como de fato

Nivaldo Pereira: chuva de luzes Luan Zuchi/
Foto: Luan Zuchi
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

O Sol brilha na região do céu chamada de Aquário. Em nossa linguagem, essa palavra evoca água, e é comum se pensar que Aquário é um signo desse elemento, e não de ar, como de fato. Essa confusão é antiga. Inicialmente, nossos ancestrais da Mesopotâmia louvavam esse período do ano por ele coincidir com uma benfazeja estação de chuvas, a anunciar vindouros ciclos agrícolas. Criaram, assim, nas estrelas, a figura de um aguadeiro vertendo seu cântaro em chuva boa e prazenteira. O futuro das colheitas já se anunciava nessa estação aquosa.

Mais tarde, os gregos adaptaram o aguadeiro na imagem de Ganimedes, o jovem garçom dos deuses. Por transitar nas esferas celestes, Ganimedes podia derramar para a terra parte dos conteúdos que servia aos deuses. Esse novo aguadeiro seria uma ligação entre o mundo divino das ideias perfeitas – como imaginou o filósofo Platão – e o mundo inferior dos sentidos, o nosso chão. Da ânfora de Ganimedes, escorriam ideias inovadoras, invenções, sonhos de futuro e senso de fraternidade. Por esse teor intelectual, não resta dúvida de que Aquário é um signo do elemento ar, ligado à mente e aos temas humanistas.

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Do alto de sua nuvem, atento ao coletivo e ao social, Aquário não quer perder tempo com pequenas questões pessoais. Sua visão de conjunto e seu apego à clareza mental o afastam das subjetividades. Melhor pensar numa revolução que alcance o mundo inteiro, numa justiça mais ampla e num absoluto princípio de liberdade e respeito do que em vínculos tribais ou valores individuais. E isso também afasta Aquário dos apegos e dependências que costumam marcar os signos de água.

Aquário divide com Capricórnio o mesmo planeta regente antigo: Saturno, o senhor das estruturas – materiais no signo de terra, sociais no de ar. Neste ano, de março a junho, Saturno deixa Capricórnio e entra em Aquário. De julho a dezembro, retorna ao signo da cabra, quando então passará a transitar na faixa do aguadeiro por dois anos e meio. Essa troca de frequência das estruturas em 2020 – da material para a social – deve contrapor os valores aquarianos aos capricornianos. A concentração planetária atual em Capricórnio reforça a ideia de limites e controles, de muros e censuras, como se o mundo quisesse voltar a um passado seguro e conservador, protegido por fronteiras reforçadas. Mas seria isso possível numa visão aquariana de futuro?

Já há décadas, desde as passagens de Urano e Netuno por Aquário, temas desse signo vêm dando ao mundo uma configuração cada vez mais interconectada, no melhor estilo aquariano: globalização, comunicação em dimensão total e instantânea e abordagens coletivas de assuntos também coletivos, como migrações e meio ambiente. Nesse contexto, como restaurar costumes e estilos de gestão já obsoletos? Será que muros e defesas de mercados resolvem as crises de cada país num mundo já globalizado? Será que resgatar moralismos e preconceitos devolvem ao planeta a ordem de um passado idealizado?

De sua alta nuvem, o aguadeiro cósmico percebe o futuro como uma direção inexorável da história. Sim, esta pode até dar um passo aqui e outro ali em marcha ré, mas nunca pode caminhar para trás. Por isso, uma dádiva de Aquário é a esperança.

E uma curiosidade final: na região do céu onde fica Aquário, são comuns chuvas de meteoro – as estrelas cadentes. Pois Aquário é isso: lampejos do amanhã, clarões de amor universal, brilhos de liberdade e cidadania, luzes de sonhos e utopias.

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