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Opinião17/01/2020 | 14h04Atualizada em 17/01/2020 | 16h23

Nivaldo Pereira: a economia como atitude

O moderno desafio do Capricórnio em cada um de nós - repetindo: em cada um de nós - é ressignificar a noção de posse e de sucesso e propagar isso adiante

Nivaldo Pereira: a economia como atitude Luan Zuchi/
Foto: Luan Zuchi
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

O Sol vai se despedindo da fatia celeste chamada de Capricórnio, mas os planetas lentos que ali permanecerão, incluindo Saturno, o dono do pedaço, prolongam pelo ano inteiro a ênfase nos temas desse signo. E a economia é um deles, submetida a crises e revisões. Como a prudência é um dom saturnino – assim como o ditado “seguro morreu de velho” –, não é tempo para desperdícios e supérfluos, desde as instâncias coletivas. Mesmo nas questões mais cotidianas, convém repensar custos e necessidades, conduzindo com cuidado as questões administrativas, qual uma cabra zelosa a trilhar uma escarpada montanha.

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Falando em trilhas, há algumas semanas, quando me preparava para a viagem de férias, percebi que meu tênis bom de caminhada estava abrindo no solado. Ok, ele já tem anos e anos de uso, está pedindo outro. Entrei em várias sapatarias, experimentei muitos modelos, mas não achei nenhum que me agradasse. Em casa, examinando melhor o velho tênis, ainda inteiraço no couro, me perguntei: por que não pedir a um sapateiro que colasse o solado? Serviço feito, não custou nem 20 reais. E viajei com o conforto que somente um sapato velho proporciona, feliz também por poder gastar em outras coisas o valor que pagaria por um tênis novo. Sem me dar conta, minha atitude revelou uma visão de economia que precisa ser reinstaurada.

Nos vídeos engraçados da internet, os capricornianos costumam aparecer sempre como sovinas e preocupados com o dinheiro. São caricaturas, é claro, mas estamos num signo de terra, em que o ser se expressa no mundo a partir de uma postura realista, prática e, acima de tudo, segura. Capricórnio também é o signo que ocupa o topo da roda zodiacal, simbolizando a realização mundana. Como o materialismo consumista deu o tom do imaginário coletivo nos últimos duzentos anos, ser alguém no mundo pressupõe certo lastro financeiro e algum reconhecimento pelo conquistado. No entanto, esse modelo divinizou a economia, gerou mais e mais exclusão social e contínua agressão ambiental, além de um neurótico consumismo em resposta às humanas angústias. E o desafio atual de Capricórnio é inventar outra relação entre o ser e o ter. Já não há topos de montanhas para todos nem recursos inesgotáveis que sustentem tantas ambições pessoais.

O mito que ilustra o signo fala de uma cabra marinha que subiu a montanha para ensinar à humanidade os princípios da civilização. O moderno desafio do Capricórnio em cada um de nós – repetindo: em cada um de nós – é ressignificar a noção de posse e de sucesso e propagar isso adiante. Alguns capricornianos literais, como a jovem Greta Thunberg, já estão por aí, dando um novo recado, para que haja algum futuro. No atual contexto de crise global, não tem cabimento ostentações e clubes de privilégios. Aliás, ostentar, além de cafona, soa imoral e desumano. Luxo é saber viver com menos.

No método saturnino de aprender pela restrição, talvez as circunstâncias vindouras nos obriguem a redescobrir o essencial pela via econômica. Menos é mais, mesmo. Aproveito essa reflexão para fazer uma lista de coisas que podem ser consertadas, recicladas ou customizadas em casa. Quantas contas podem ser reduzidas sem prejuízo operacional? E quem precisa de 200 canais de televisão se nunca tem tempo para ver? Enfim, o cotidiano está cheio de oportunidades para exercitar um novo modelo de gestão material. Se todo mundo fizer um pouco, já será uma revolução coletiva.

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