Conheça o universo de relíquias de Zeca Nogueira e saiba como começou sua paixão por objetos antigos - Cultura e Tendência - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Sociedade17/01/2020 | 14h37

Conheça o universo de relíquias de Zeca Nogueira e saiba como começou sua paixão por objetos antigos

Paulista comanda o antiquário Lili Antiques, no centro de Caxias do Sul

Conheça o universo de relíquias de Zeca Nogueira e saiba como começou sua paixão por objetos antigos Alex Battistel/Divulgação
Foto: Alex Battistel / Divulgação

Tia Lili foi uma espécie de tutora de Zeca Nogueira. Com ela o rapazote frequentava antiquários de Campinas, em São Paulo, sua cidade natal. E foi assim que ele não só desenvolveu o gosto e o olhar refinado, mas também uma profissão. Residindo há sete anos em Caxias do Sul, o campineiro homenageia a memória familiar e afetiva com o Lili Antiques, um antiquário que ele abriu há pouco mais de um mês, no Centro.

– Foi esta tia e madrinha que me levou a ter o interesse pelas antiguidades. Ela me transmitia esse amor pelos objetos antigos – diz Zeca.

Aos 55 anos, essa não é a primeira investida dele no ramo. Entre os anos 1990 e 1992, manteve um estabelecimento semelhante em Campinas. A Belle Époque, o Barroco, a Era Vitoriana, a Art Nouveau e o Clássico se confundem nas referências estéticas e nas peças que Zeca seleciona tanto para a sua casa como para o antiquário, instaurado na Galeria Martinato. A inspiração vem dos brocantes parisienses.

Leia mais
Conheça o chef carioca radicado na Serra que faz história com seu talento na culinária
Radicada há 29 anos nos Estados Unidos, Ana Gazzola fala sobre vida, carreira e música

– Quando eu digo brocante, é por eu focar mais em peças, fazendo um mix de produtos escolhidos a dedo que vão desde botões Art Déco, bijoux antigas mais delicadas e itens para uso como pratas, cristais, louças, até porcelanas europeias, orientais e gravuras dos séculos 18 e 19 para decoração – descreve ele, zeloso e detalhista.

Atento e perfeccionista, Zeca criou o Lili Antiques movido pelo afeto.

– Nunca tive a pretensão de fazer um grande antiquário, pois aqui em Caxias já existe. Poeticamente falando, quero compartilhar o que eu aprecio com as outras pessoas. O Lili é a oportunidade de realizar novamente um grande sonho – descreve.

O espaço, que é cuidado com esmero, com peças decoradas com flores naturais, acolhe afetuosamente cada um que se achega. E para Zeca, esses encontros são momentos de uma alegria sem tamanho.

– O que me encanta é que as pessoas que visitam o espaço são também muito interessantes. A gente troca histórias – afirma.

Em meio a uma miscelânea de mais de 500 peças reunidas e guardadas no decorrer de uns 30 anos, há opções mais simples ou sofisticadas. E Zeca considera um enigma o que move a escolha das pessoas:

– É um mistério. Acredito que cada coisa tenha seu dono. Tem uma hora que chega alguém que bate olho em algo e leva. Isso é inexplicável, é como reviver o passado saudoso de cada um. É aquilo que chamados de saudade de um tempo. Vou apurando o olho e gosto, reunindo artigos que misturam valor artístico, histórico e monetário. Não jogo qualquer informação para o colecionador. Procuro saber ao máximo sobre cada item, movimento ou período artístico – descreve.

Outra particularidade da vida dele e que se espalha pelas paredes do Lili Antiques são as coleções de santos, reunidas por períodos, categoria artística e matéria prima.

– É devoção mesmo – confessa, conhecido pelo cultivo da fé e religiosidade.

Animado com sua nova empreitada, o colecionador de relíquias vive um momento de afirmação de entrosamento com a cidade que elegeu para viver.

– Estou feliz com a receptividade. Percebo que estão gostando, comentando e indicando o meu trabalho. Se a gente faz com amor isso é percebido e a recompensa vem – declara.

Peça do Lili Antiques, em Caxias do Sul. Na foto, Pot-pourri de cerâmica Satsuma, do século IXX, outra relíquia que pertence ao Período Meiji japonês.
Pot-pourri de cerâmica Satsuma, do século 19, outra relíquia que pertence ao Período Meiji japonês.Foto: Alex Battistel / Divulgação
Peça do Lili Antiques, em Caxias do Sul. Na foto, dois pratos de porcelana Schwarzburg com cenas dO Julgamento de Paris estão com ele desde os anos 1990. As pinturas foram feitas pelo Atelier Ascona, de Veneza e as peças são criações de Max Adolf Pfeiffer, que também foi diretor da Manufatura de Porcelana Real de Berlim.
O pratos de porcelana Schwarzburg com cenas d’O Julgamento de Paris estão com ele desde os anos 1990. As pinturas foram feitas pelo Atelier Ascona, de Veneza, e as peças são criações de Max Adolf Pfeiffer, que também foi diretor da Manufatura de Porcelana Real de Berlim.Foto: Alex Battistel / Divulgação
Peça do Lili Antiques, em Caxias do Sul. Na foto, Tête-à-tête em Porcelana Dresden, verdadeiras joias com pintura à mão feita em 1910, da Alemanha Século XX.
Tête-à-tête em Porcelana Dresden, verdadeiras joias com pintura à mão feita em 1910, da Alemanha, século 20.Foto: Alex Battistel / Divulgação

Leia também
Nivaldo Pereira: a economia como atitude
Pedro Guerra: nada do que foi será
Renato e Seus Blue Caps fazem show em Caxias no dia 28 de março

 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros