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Opinião27/12/2019 | 14h24Atualizada em 27/12/2019 | 14h24

Tríssia Ordovás Sartori: Aprender a agradecer

O cotidiano é permeado por contrapontos: alegria e tristeza, vida e morte, sorriso e lágrima, sim e não, amor e ódio, chegada e partida e está tudo bem

Tríssia Ordovás Sartori: Aprender a agradecer Fábio Panone Lopes, especial/
Foto: Fábio Panone Lopes, especial
Tríssia Ordovás Sartori
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

Se eu pudesse eleger apenas um aprendizado que 2019 me trouxe seria “seja tão gentil consigo mesma quanto é com os outros”. Tenho a impressão que temos lentes diferentes para contemplar as maravilhas alheias e as nossas, sendo as nossas um pouco menos complacentes. As pessoas nos cobram por resultados, por desempenho, por comportamento, mas pouca gente quer saber o que nos faz ou nos deixa feliz. Então, impreterivelmente, cabe a nós essa “tarefa”.

Se eu pudesse elencar mais alguns desses meus aprendizados seriam “não deixe de se surpreender com as pequenas coisas”, “agradeça por estar aqui e agora” e “todo o poder de transformação está dentro de ti, mas é bom ter com quem contar”.

Bem no início do ano, fui convidada — e convencida — por amigos a fazer a Trilha do Rio do Boi e, empolgadíssima e curiosa, fui. Empolgada pela aventura, que só saiu na segunda data marcada, por causa das condições climáticas. Curiosa porque não é o tipo de atividade que costume fazer, tampouco que faça com regularidade. Mas nem hesitei. Parceria é parceria.

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Pra quem não a conhece, a saída da trilha é de Praia Grande, em SC, e ela é realizada pelo leito do rio, que tem rochas enormes, na fenda do Cânion Itaimbezinho. É preciso usar caneleiras para evitar acidentes e mordidas de cobras e atravessa-se o rio umas 20 vezes durante os 14 quilômetros de ida e volta, algumas vezes com água quase pela cintura (ao menos no meu 1m59cm). A paisagem é linda, com cascatas e vegetação peculiares, mas volta e meia é preciso respirar fundo e lembrar de parar para contemplá-la.

A questão é que o percurso é bem difícil e exige muito dos músculos, por causa do sobe e desce nas grandes pedras irregulares, que são escorregadias, mas também é necessária muita concentração para saber onde se está pisando e, no meu caso, para tentar não ver as aranhas (tenho pânico!) pelo caminho. Depois de muitas (muitas mesmo!) horas, vencemos a trilha e eu, que me machuquei pelo caminho, rememorei dois importantes aprendizados: a gente só sabe o nosso limite ao ser confrontado com algo perto dele — e sempre dá para ir um pouco além, somos mais fortes do que supomos — e precisamos saber quem estará conosco para segurar nossa mão e não soltá-la em nenhuma circunstância adversa. A trilha é só uma metáfora da nossa caminhada vida afora.

Demorou mais de uma semana para o meu corpo voltar ao normal e, depois disso, pensei “ah, nada mais vai ser difícil em 2019”. E essa foi a ideia mais pretensiosa, recorrente e sem cabimento deste ano. Risos! Toda vez que ela aparecia, algo me mostrava que eu estava bem errada. Que bom!

2019 foi um dos anos mais difíceis e mais incríveis da minha vida: reafirmei o poder da gentileza e da empatia como antídotos valiosíssimos em um mundo frio e indiferente e escolhi sempre me importar. Transformei estranhos em amigos. Entendi que o cotidiano é permeado por contrapontos: alegria e tristeza, vida e morte, sorriso e lágrima, sim e não, amor e ódio, chegada e partida e está tudo bem, podemos sempre escolher apenas um deles, ou os dois, ou alterná-los. E, se tivermos coragem para bancar nossas escolhas e soubermos agradecer por elas (acordamos, estamos vivos, podemos dizer ‘eu te amo para alguém’) não precisamos de absolutamente mais nada, porque já temos tudo o que precisamos.

Que essa sensação de (auto)completude nos acompanhe no próximo ano. Desejo a vocês um 2020 lindo e leve, com um pouco de aprendizado e muita diversão no percurso.

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