Parque a céu aberto em Bento Gonçalves irá abrigar esculturas de artistas de mais de 20 países - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Turismo13/12/2019 | 15h00Atualizada em 13/12/2019 | 15h23

Parque a céu aberto em Bento Gonçalves irá abrigar esculturas de artistas de mais de 20 países

Instalado no roteiro Caminhos de Pedra, previsão é de que o Parque Domadores de Pedra seja inaugurado em março do ano que vem

Parque a céu aberto em Bento Gonçalves irá abrigar esculturas de artistas de mais de 20 países Fábio Grison/Divulgação
Empresário Tarcísio Michelon está à frente do Parque Domadores de Pedra, projeto gestado durante simpósios de escultores realizados em Bento Foto: Fábio Grison / Divulgação

Ao longo de quatro décadas dedicadas ao turismo, o empresário bento-gonçalvense Tarcísio Michelon, 70, conta ter se apaixonado pela cultura a ponto de considerá-la indissociável do ramo em que é um dos nomes mais bem-sucedidos do Estado. Ao conversar com a reportagem durante evento realizado na última quarta-feira, para apresentar o projeto do futuro Parque Domadores de Pedras, o idealizador do roteiro Caminhos de Pedra e proprietário da rede de hotéis Dall' Onder fez questão de frisar o ensinamento mais valioso que recebeu da mãe, Josefina Cassol, sobre a atividade turística:

— Não existe possibilidade de turismo que não seja cultural. Uma vez perguntei para minha mãe, Josefina Cassol, que foi hoteleira de 1944 a 1959, o que os turistas gostavam naquele tempo. Com sabedoria, ela me respondeu: "os turistas gostavam de tudo o que é nosso". Nunca desviei um milímetro desse caminho. Tudo o que fiz nesses quase 40 anos foi oferecer ao visitante a nossa forma única de nos relacionarmos com a alimentação, com os animais, com a arquitetura, com a arte. 

Viabilizado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura e previsto para ser inaugurado em março, numa área de 3,8 hectares ao lado da Casa da Ovelha, o parque irá contar com mais de 40 esculturas em basalto e granito, assinadas por artistas de mais de 20 nacionalidades. Algumas já estão instaladas, pois foram concebidas durante as quatro edições do Simpósio Internacional de Escultores de Bento Gonçalves _ evento que serviu de embrião para a criação do parque. Além de escultores gaúchos, podem ser conferidas criações de artistas do México, Costa Rica, Colômbia, Irã, Coréia do Sul, Espanha, Áustria, Grécia, entre outros países. 

Parque de esculturas Domadores de Pedras, em Bento Gonçalves
Fachada terá letreiro em frente a propriedade típica da colonização italiana, que servirá para o atendimento ao públicoFoto: Fábio Grison / Divulgação

— Ao ingressar no parque o visitante irá fazer um percurso em que as obras não vão estar organizadas por épocas, materiais ou autores, mas sim de forma a proporcionar uma leitura mais poética, interagindo com a paisagem, e que o faça pensar sobre o trabalho do homem junto à natureza, em seus esforços para domá-la e controlá-la. Uma experiência que não seja apenas estética, mas que provoque uma reflexão sobre a vida e a arte. A curadoria e os arquitetos estão trabalhando muito juntos para construir esse sentido — destaca o escultor uruguaio Mario Cladera, responsável pela curadoria do parque. 

Inspirado no Instituto Inhotim (MG), o parque conta com investimento de R$ 1 milhão em sua primeira etapa. Além da área a céu aberto que servirá para o passeio e apreciação das esculturas, uma casa de pedra e madeira construída nos anos 1920, na entrada do terreno, será revitalizada para oferecer atendimento ao público. 

— Os imigrantes trouxeram da Itália mais de 70 ofícios e profissões especializadas, e a escultura em pedra, ferro ou madeira é um dos conhecimentos mais espetaculares. Toda essa bagagem dos nossos antepassados nos obriga a sermos pessoas muito preocupadas em produzir coisas especiais. Essa é a essência do turismo na nossa região. Teremos aqui em Bento Gonçalves um dos espaços mais importantes para apreciação da escultura moderna no Brasil — destaca Michelon. 

Parque de esculturas Domadores de Pedra, em Bento Gonçalves
Algumas das obras já estão instaladas no terreno, mas serão reposicionadas Foto: Fábio Grison / Divulgação

Cultura para financiar cultura

Ainda sem preço definido, o valor do ingresso pago pelo visitante do parque será revertido para manter e expandir as atividades do Instituto Tarcísio Michelon. Fundado em 2008 e voltado para a educação musical, o ITM beneficia atualmente cerca de 200 crianças e adolescentes bento-gonçalvenses em vulnerabilidade social. Além das aulas de música, entre os projetos desenvolvidos estão a Orquestra Filarmônica, o Coro e o Quinteto de Cordas. 

— Quanto maior for o sucesso do parque, maior será a arrecadação em prol da formação de músicos e cidadãos no ITM, que, hoje, ainda é muito dependente de projetos de leis de incentivo — destaca Tarcísio Michelon.

Além de servir à formação de músicos, o parque também promoverá capacitações para escultores, como cursos, oficinas e worskshops. A cada nova edição do Simpósio de Escultores, novas obras serão agregadas ao acervo, aumentando também a área ocupada pelo parque no terreno, que é propriedade de Michelon e cuja escritura prevê a ocupação pelo ITM pelos próximos 20 anos. Diretora do Instituto, Angela Martins enaltece a parceria com patrocinadores e apoiadores que abraçam o projeto.

— Num país em que as pessoas brigam pela esquerda e pela direita, temos que contar cada vez mais com pessoas dispostas a olhar para a frente, pois só assim seremos capazes de formar cidadãos melhores — ressalta a diretora. 

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