Marcos Kirst: Tudo começou após o térreo - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião16/12/2019 | 15h50Atualizada em 17/12/2019 | 09h24

Marcos Kirst: Tudo começou após o térreo

Espelhar o espetáculo da vida cotidiana, procurando refletir sobre ela a essência do viver, é o desafio que se impõe a cada semana

Levava como título “Embaraço após o térreo” e, como data, o hoje longínquo 10 de novembro de 1985, que se perde nas brumas do tempo, arremessando-nos de volta ao século passado, nos estertores de um milênio ainda analógico. O texto versava, de modo bem humorado (o que se tornaria uma espécie de marca registrada dali em diante, mas na época as madamas, o Argentino, a Dona Esmeraldina, as senhorinhas da hora do chá, ainda não circulavam pela aí nestes sempre mal-digitados, intermináveis e asfixiantes períodos, tecidos impunemente por um autointitulado cronista mundano de segunda), sobre a sempre constrangedora situação que se estabelece entre os desconhecidos que, ao longo de alguns curtos e intermináveis segundos, se veem obrigados a compartilhar o exíguo espaço de um elevador, submetendo-se a uma intimidade física indesejada e constrangedora, apesar de breve. Dava-se, ali, a minha estreia pública enquanto cronista, na edição daquela data do hoje extinto jornal “A Razão”, de Santa Maria.

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O responsável por aquela situação foi o professor de Língua Portuguesa do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Santa Maria (que eu cursava, na época), Orlando Fonseca (escritor consagrado e cronista fixo daquele jornal), que havia proposto a nós, alunos, como exercício de aula, a produção de crônicas. Fi-la, entreguei-a e, dias depois, ao receber de volta o trabalho com nota máxima (quem diria, após anos com 5 em matemática e 6,5 em biologia!), o generoso professor me perguntou se eu lhe permitia publicar meu texto na coluna semanal assinada por ele no jornal. Estupefato, meu subconsciente gritou “sim”, antes que meu consciente, anestesiado e boquiaberto, deixasse passar o cavalo encilhado. Publicado o texto, comecei a achar que poderia ser cronista. Dali em diante, passei a estudar os cronistas de verdade, o que se tornou um hábito cultivado até hoje, na esperança de descobrir a fórmula da boa escrita e de um dia aprender o que os mestres ensinam (entre eles, Luis Fernando Verissimo, Rubem Braga, Sérgio Porto, Leon Eliachar, João Bergmann, Jimmy Rodrigues, Machado de Assis, Fernando Sabino...).

Agora, neste vindouro 20 de dezembro, completo dez anos ininterruptos na condição de cronista do jornal “Pioneiro”, período ao longo do qual publiquei, com esta de segunda, 1143 textos, o que muito me honra. Espelhar o espetáculo da vida cotidiana, procurando refletir sobre ela a essência do viver, é o desafio que se impõe a cada semana. Grato aos leitores pela generosidade da atenção e ao “Pioneiro”, pelo espaço. Sigamos.

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