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Opinião09/12/2019 | 07h00Atualizada em 09/12/2019 | 07h00

Marcos Kirst: o segredo é a harmonia

A felicidade só pode ser alcançada a partir do momento em que entramos em harmonia com esse poder, seja lá como cada um o conceba

Em um de seus romances mais significativos, “Cécile” (1811), o político, pensador e escritor franco-suíço Benjamin Constant (1767 – 1830) – que não deve ser confundido com o militar e político brasileiro homônimo (1836 – 1891), até porque o brasileiro recebeu o nome em homenagem ao seu predecessor europeu –, induz um de seus personagens, o senhor de Langallerie (que existiu na vida real), a refletir sobre um aspecto crucial das questões filosóficas que afligem a humanidade desde que, oriundos das cavernas, fomos iluminados magicamente pela consciência de nossa própria existência. Diz assim, o senhor de Langallerie: “Não se poderá negar que existe um poder, exterior a você, mais forte que você. Pois bem, a única maneira de encontrar a felicidade neste mundo é estar em harmonia com esse poder”.

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A compreensão e aceitação dessa verdade universal está na base das religiões, cuja missão é promover uma estreita ligação entre os seres humanos e esse poder superior. As religiões antigas desmembravam os aspectos divinos em uma miríade de deuses antropomorfos – as mitologias –, e caíram em desuso frente ao surgimento de um pensamento mais moderno e poderoso, representado pelas religiões monoteístas, nas quais o poder superior é imanente a um deus único. Agnósticos e ateus podem identificar a manifestação dessa força naquilo que classificam como a própria Vida ou a maravilha inexplicável do Universo e suas inter-relações entre tudo o que existe. Cientistas de laboratório podem detectar vestígios desse poder nas profundezas das galáxias e nas miudezas da atividade subatômica. Cientistas dos divãs conseguem vislumbrar essa força nos conceitos com que trabalham, como o self, o inconsciente, o subconsciente e outros. Independentemente da forma como esse poder é decifrado, a verdade detectada pelo escritor francês parece criar um elo entre todos esses conceitos: a felicidade só pode ser alcançada a partir do momento em que entramos em harmonia com esse poder, seja lá como cada um o conceba.

De minha parte, vejo nas manifestações culturais e artísticas, de todas as espécies, um dos caminhos que possibilitam esse encontro, por meio da promoção do êxtase obtido da fruição do sublime. Literatura, música, dança, cinema, teatro, fotografia, canto, escultura, pintura, desenho e outros são instrumentos também válidos para gerar essa epifania, daí a importância da defesa constante do valor da manifestação das artes e da cultura, livres e amplas, em uma sociedade que queira permitir a busca individual e democrática pela felicidade.

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