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Tramas em movimento06/12/2019 | 15h22Atualizada em 07/12/2019 | 11h07

Conheça a trajetória da artista multifacetada Cristina Lisot

Bailarina, artista têxtil, figurinista e bioquímica caxiense, atualmente ela expõe seus trabalhos na Fibra ¿ 1ª Bienal de Arte Têxtil Contemporânea

Conheça a trajetória da artista multifacetada Cristina Lisot Alex Battistel/Divulgação
Maxiagulhas e fios que mostram os materiais com os quais ela tece tricôs e peças que ganham volumes, texturas e tramas ímpares Foto: Alex Battistel / Divulgação

Falar sobre Cristina Lisot é como desentrelaçar fios. Vai-se descobrindo uma bailarina determinada, uma artista têxtil em ascensão, uma figurinista com olhar refinado e uma bioquímica que atua no serviço municipal caxiense. Todas em uma, na razão da diversidade de possibilidades com as quais ela exerce sua criatividade.

Atualmente expondo na Fibra — 1ª Bienal de Arte Têxtil Contemporânea, em Porto Alegre, ela aproxima as tramas dos fios de movimento que vem construindo no decorrer de sua formação como bailarina com Margô Brusa, Cláudia Bergmann, Gislaine Sachet, integrando também a Cia Municipal de Dança.

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Em paralelo, virou Farmacêutica Bioquímica. E sem jamais esquecer as artes e a costura. Afinal, cresceu entre retalhos vendo o pai atuar como alfaiate e ter uma fábrica de jeans, e a mãe, Stela Alberti Lisot, formada em artes plásticas, que a deixava com a irmã Carolina com tarefas de pintar panos de prato. Tudo em fluxo criativo.

— Tive uma infância com muitas possibilidades de expressão. Fui intuindo que tecer vem do mesmo lugar do movimento, algo que mexe interna e externamente. A gente é um ponto zero, com todas as possibilidades de ser. A dança contemporânea me ajudou a encontrar e a questionar o meu movimento como ser humano — diz.

Cristina Lisot e suas criaçõesFoto: Alex Battistel, divulgação

Assim, fazer seus tricôs e roupas que expõe em bazares e feiras alternativas em uma arara criada em parceria com a irmã, que é arquiteta, é também refletir sobre o seu entorno.

— As peças nascem como respostas a coisas que me mobilizam nas artes. Elas são suportes para leituras do mundo. Não têm um compromisso com tendência ou coleções pontuais. Têm mais a ver com a ideia de usar o que tenho à mão, de refazer, reutilizar fios e outros materiais — explica.

Tecer e dançar se entrelaçam também na função de figurinista. Aqui, não se trata de fazer roupa, mas de ideias.

— Figurinos estão no lugar do simbólico, pedem o exercício criativo do metafórico — afirma ela, cujo espaço de trabalho, no bairro Exposição, se chama Jardim Jardim.

Este florescer de diferentes vetores de trabalho a colocam em constante estado de aprendizado. Na metade do ano, esteve em uma residência artística em Durham, na Carolina do Norte, no American Dance Festival. Mais uma vez, buscou parcerias para sua construção artística.

— Não me interesso pelo virtuosismo, gosto de olhar para os lados. Gosto de dançar com o outro, que me ajuda a fluir um pouco mais. Preciso de pessoas, não consigo viver sozinha — revela.

Essa ideia do convívio é o que também move seu cotidiano ao lado dos sobrinhos Enzo e Giorgia Lisot e Amora Stroher — "eles resolvem toda a minha maternidade", afirma a "tia Kiki" — e do marido, Giuliano Bianchi, seu parceiro de viagens entre extremos: de Singapura ao Vietnã, de Aspen a Havana. E a casa deles é o espaço das dramaturgias do encontro.

— Gosto de ficar sozinha, mas também adoro reunir muita gente, arrumar a mesa, preparar a cenografia para receber os amigos — conta.

Máquina de costura da sogra, Ruth Ramos Bianchi e a primeira maquina de costura e o ferro de passar que teve quando criança pois “não gostava de brincar de boneca, mas de fazer roupas para elas”Foto: Alex Battistel, divulgação
Maxi agulhas e fios que mostram os materiais com os quais ela tece tricôs e peças que ganham volumes, texturas e tramas ímparesFoto: Alex Battistel, divulgação
Vaso resultado do “Caça flor”: ela recolhe flores, folhas e arbustos em matinhos urbanos ou terrenos baldios para criar os arranjos. Estes bouquets também integram a performance Mensagens Florescer MóbileFoto: Alex Battistel, divulgação
Detalhes da casa/ateliê de Cristina LisotFoto: Alex Battistel, divulgação
Recanto inspirado de Cristina Lisot para receber amigosFoto: Alex Battistel, divulgação

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