Romance francês "Encontros" discute relações em tempos de solidão e barreiras emocionais - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Cinema07/11/2019 | 08h31Atualizada em 07/11/2019 | 08h46

Romance francês "Encontros" discute relações em tempos de solidão e barreiras emocionais

Filme estreia nesta quinta em Caxias

Romance francês "Encontros" discute relações em tempos de solidão e barreiras emocionais Imovision/Divulgação
Longa acompanha a rotina dos jovens solitários Rémi (François Civil) e Mélanie (Ana Girardot) Foto: Imovision / Divulgação

Ao dar uma olhada na sinopse longa Encontros, surge uma história já contada antes e que rendeu um dos maiores hits do cinema argentino nesta década: Medianeras (2011). Pois bem, realmente o filme parece propor uma versão francesa do sucesso latino, o que por si só já deve garantir a ida de muita gente à Sala de Cinema Ulysses Geremia a partir desta quinta (7). A temática também é de fácil identificação com quem não assistiu Medianeras, afinal, estamos todos convictos das inúmeras barreiras do mundo pós-moderno no quesito conexão emocional. Esse olhar contemporâneo sobre o amor costuma render boas histórias, estejam elas ambientadas em Buenos Aires ou Paris. 

Dirigido por Cédric Klapisch, que também assina o roteiro ao lado de Santiago Amigorena, Encontros acompanha a rotina dos jovens solitários Rémi (François Civil) e Mélanie (Ana Girardot), que moram em prédios vizinhos mas não se conhecem. Ambos enfrentam problemas para se aproximar de outras pessoas e alguns desafios no âmbito profissional – enquanto ele tenta se adaptar a uma nova função, ela precisa driblar a timidez para uma importante apresentação. A primeira parte do filme apresenta os personagens sem revelar momentos de muita expressão. Parece haver uma intenção em mostrar Rémi e Mélanie como uma dupla um tanto apática, como se ambos estivessem anestesiados perante a vida. Algo precisa acontecer para que eles acordem e é aí que o filme começa a ficar mais interessante.

Ao mesmo tempo, porém motivados por diferentes questões, a dupla de protagonistas começa a frequentar consultas psicológicas, o que representa uma espécie de virada na trajetória de ambos. As cenas com participação dos terapeutas rendem bons diálogos, carregando o longa para uma direção mais reflexiva e menos água com açúcar. Aos poucos, o espectador vai conhecendo as feridas de Rémi e Mélanie, e entendendo como elas podem ser responsáveis pela condição depressiva dos personagens.

Outra semelhança de Encontros com Medianeras é a presença do âmbito digital na vida dos personagens centrais, algo quase clichê em se tratando de protagonistas com cerca de 30 anos. Enquanto Mélanie investe em aplicativos de encontros, Rémi se mostra mais contido e decide abrir uma tardia conta no Facebook. A já batida liquidez das relações na era da internet dá as caras no filme de maneira tímida, no entanto. O diretor parece justamente querer exaltar os encontros reais, seja por meio da solidariedade a um animal de rua, da cumplicidade com o terapeuta, ou da amizade com o dono do mercado que se frequenta diariamente.

Mesmo sem manter o nível no apuro estético e narrativo do sucesso Medianeras, Encontros merece atenção. Há no longa de Cédric Klapisch a intenção de propor escapes de conexão no ambiente cada vez mais solitário das grandes cidades. A Paris retratada no filme é cosmopolita, habitada por inúmeras identidades diferentes e suscetível a milhares de acasos positivos para o coração. Basta se abrir para eles. 

Programe-se:
:: O quê: romance francês Encontros, de Cédric Klapisch.
:: Onde: Sala de Cinema Ulysses Geremia, no Centro de Cultura Ordovás (Rua Luiz Antunes, 312).
:: Quando: estreia nesta quinta (7) e fica em cartaz até o dia 17, com sessões de quinta a domingo, sempre às 19h30min.
:: Quanto: ingressos a R$ 10 e R$ 5 (estudantes, idosos e servidores municipais).
:: Classificação: 12 anos:
:: Duração: 110 minutos.

 
 
 

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