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Encontro de Prateiros #202/11/2019 | 07h05Atualizada em 03/11/2019 | 13h42

"O mais interessante é que há aqui uma escola que já está dando frutos", diz prateiro argentino 

Horacio Bertero palestrou e lançou livro durante atividade promovida em Bento Gonçalves

"O mais interessante é que há aqui uma escola que já está dando frutos", diz prateiro argentino  MINUSCOLI FILMAKER/Divulgação
"O primeiro homem que chega à Serra da Prata, no Império Inca, é um português, que se chamava Aleixo Garcia", ensina o mestre prateiro. Foto: MINUSCOLI FILMAKER / Divulgação

Nas palavras do jornalista Eduardo Bueno, o Peninha, o Caminho do Peabiru é uma das mais incríveis histórias. Não por acaso, Bueno escreveu essa narrativa em Náufragos, Traficantes e Degredados. Esse recorte histórico é também tratado pelo mestre prateiro Horacio Bertero. Bueno, que tem um canal no YouTube, chamado Buenas Ideias, relata esta epopeia:

— Haviam esse rumor, que na verdade era mais do que uma lenda, da existência desta trilha. Que de alguma forma saíam de onde é São Paulo e Santa Catarina hoje, e se encontravam no Paraná, de onde era possível chegar até Assunção, no Paraguai. Dali subiam o Rio Pilcomayo, contra a corrente e chegavam na Bolívia, e dali para Chuquisaca.

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O argentino Horacio Bertero explica porque o caminho se chama Peabiru.

— O primeiro homem que chega à Serra da Prata, no Império Inca, é um português, que se chamava Aleixo Garcia. Ele partiu em 1524, da ilha de Santa Catarina, com 2 mil índios carijós. Ele passa por um antigo caminho que saía de São Vicente até as cordilheiras andinas. Esse caminho se chamava Peabiru, que quer dizer pasto raso, pois essa vegetação não deixava crescer mais nada, e mantinha uma trilha aberta — revela Bertero.

Aleixo teria chego muito próximo a Potosí, no coração do Peru, onde ficava a montanha de cerca de 600m de altura recheada com prata. Ele e seus comparsas saquearam o que puderam levar e seguiram de vota pelo mesmo trajeto. No meio do caminho dessa nossa história pelo rito da prata, Aleixo junto com outras pessoas da expedição são atacados por índios Paiaguás, os tais piratas do Rio Paraguai, e acaba sendo morto.

— Essa expedição realmente ocorreu e chegaram nessa parte da América antes dos espanhóis — confirma Bertero.

Horacio Bertero (primeiro à esquerda), Armando Néstor Ferreira, Raul Sartor Filho e Darci Polerto (à direita, de costas)2º Encontro Internacional de Prateiros, realizado em Bento Gonçalves, entre 10 a 13 de outubro de 2019.
Horacio Bertero (primeiro à esquerda), Armando Néstor Ferreira (homenageado desta edição), Raul Sartor Filho e Darci Poletto, no 2º Encontro Internacional de Prateiros, realizado em Bento Gonçalves, entre 10 a 13 de outubro de 2019.Foto: Minusculi Filmaker / Divulgação

Potosí só seria descoberta, em 1545, conforme explica Bertero.

— No reinado de Carlos V, se descobre a mina mais importante desde aquele tempo até os nossos dias, em Potosí. Há estudiosos, que fazem uma comparação em certo ponto mítica, que diziam que com a quantidade de prata encontrada em Potosí seria possível erguer uma ponte entre a Bolívia e a Espanha, por cima de todo o oceano. Obviamente é uma hipótese maluca.

Dentro desse percurso, em parte geográfico que interliga culturas e seus povos, permeados pela prata, Bertero diz que pouco mudou desde aqueles idos tempos incas.

— O caminho pode ser um pouco diferente, mas o resultado é o mesmo, mesmo 500 anos depois dessa descoberta de Potosí. As técnicas foram aprimoradas, mas o ofício de prateiro é ainda o mesmo: fundimos, laminamos, soldamos, cinzelamos, polimos e entregamos a peça. Sempre o mesmo trabalho, um ofício milenar — explica Horacio.

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