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Opinião29/11/2019 | 15h58Atualizada em 01/12/2019 | 16h18

Nivaldo Pereira: novo ciclo de Júpiter

Parece claro que o otimista Júpiter não se "espalha" muito em Capricórnio, onde encontra um clima de cobranças e restrições

Nivaldo Pereira: novo ciclo de Júpiter Arte de Luan Zuchi/
Foto: Arte de Luan Zuchi
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Novidade no céu nesta segunda-feira: o planeta Júpiter ingressa no signo de Capricórnio, por um período de um ano e num ciclo que se repete a cada 12. Em 2020, Júpiter vai se alinhar a Saturno e Plutão, que já estão em Capricórnio, formando uma conjunção tripla, indicadora de ajustes profundos nas estruturas do mundo (comentarei isso em texto futuro). Por ora, cabe imaginar as possibilidades de manifestação do expansivo Júpiter – regente de Sagitário e associado a temas como leis, justiça, ideologias, religiões, universidades e relações internacionais – nesse trânsito pelo terrestre e realista signo de Capricórnio.

Parece claro que o otimista Júpiter não se “espalha” muito em Capricórnio, onde encontra um clima de cobranças e restrições. Tanto que a tradição astrológica diz que Júpiter está em “queda” neste signo, com pouca liberdade para se abrir ao novo. No entanto, se formos analisar a passagem desse maior planeta do sistema solar por seu próprio signo, Sagitário, em 2019, veremos que os temas citados acima ficaram em destaque, mas envoltos em crises e muita confusão. É que, durante todo o ano, Júpiter esteve em ângulo tenso com Netuno, o planeta das brumas e das relativizações, abrindo espaço para mentiras, manipulações e ideológicas cortinas de fumaça. Sim, senhores, este ano que vai se encerrando foi marcado por insanidades legitimadas.

Nessa perspectiva, a chegada de Júpiter a Capricórnio pode significar um alentado confronto com a realidade. Pois, convenhamos, certos limites são mais do que necessários. Se formos buscar provas disso na passagem anterior de Júpiter por esse rigoroso signo de Saturno, há 12 anos, chegamos, por exemplo, à lei seca no trânsito, de 2008. A exagerada confiança jupiteriana, propensa a excessos (“outra cerveja não dá nada, eu me garanto no volante”), foi severamente contida. Resultado: desde então, milhares de mortes e situações de invalidez foram evitadas.

Também em 2008, com Júpiter em Capricórnio, a aceitação de limites e consequências não se deu somente no bizarro caso do padre (figura jupiteriana) que ousou viajar pelos ares dependurado em balões. Naquele ano, os brasileiros foram recordistas de deportações em aeropostos da Espanha, gerando crise diplomática entre os países, com o Brasil também barrando a entrada de espanhóis. Essa postura reativa ajudou a atenuar o problema. Alguma dureza, principalmente no cumprimento das leis e na afirmação das instituições tradicionais, pode ser benéfica nesse trânsito. Pode ser a hora de revalidação dos artigos constitucionais e da força das universidades.

Mas, não podemos ignorar o perigo de uma possível submissão dos citados temas jupiterianos ao aparato repressivo do poder – ainda mais com Saturno e Plutão também passando por Capricórnio. Só para lembrar, em 2008, o filme Tropa de Elite provocou celeumas pela forma como supostamente enaltecia métodos coercitivos da polícia. No ciclo mais anterior de Júpiter no signo, em 1996, a polícia abriu fogo contra trabalhadores sem terra no conhecido Massacre de Eldorado dos Carajás. Até hoje, nenhuma autoridade envolvida foi sequer responsabilizada. Nos meandros do intocável poder oligárquico (tema capricorniano), o assassinato de PC Farias, em 1996, também segue sem solução.

Seja como for, começa um ciclo de menos ilusão e mais pé no chão, com o real impondo seu preço. O tempo agora é de mangas arregaçadas, e não de heróis salvadores.

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