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Cultura08/11/2019 | 19h52Atualizada em 08/11/2019 | 20h05

Assim é o Dia dos Mortos no México

Repórter acompanhou festividades en San Luis Potosí, onde data leva o nome de Xantolo

Assim é o Dia dos Mortos no México Juliana Bevilaqua/Agência RBS
Cemitério municipal de Ciudad Valles, no Estado de San Luis Potosí, no México Foto: Juliana Bevilaqua / Agência RBS

Ruas tomadas pelos aromas de cravo de defunto e de copal. Altares nos lares e praças com oferendas aos que já partiram. Música e dança para celebrar a presença das almas dos entes queridos que, pela crença herdada dos povos pré-hispânicos, retornam no Dia dos Mortos. Impactante para quem vivencia pela primeira vez, as festividades no México fazem repensar a forma como encaramos a morte. 

As homenagens, carregadas de alegria e carinho, variam de acordo com cada Estado. Na Huasteca Potosina, região de San Luis Potosí, onde tive a oportunidade de acompanhar a celebração, que leva o nome de Xantolo, são quatro dias de festa. Há, inclusive, abertura das festividades com apresentações artísticas. Jovens dançam com máscaras de velhos, catrinas ou diabos, e mulheres se vestem de homem e homens de mulher para não serem reconhecidos e, assim, enganarem a morte. 

Xantolo, festividade de dia dos mortos em Ciudad Valles, no Estado de San Luis Potosí, no México. Dia 2 de novembro de 2019.
Banda tocando no cemitério de Ciudad VallesFoto: Juliana Bevilaqua / Agência RBS

Nos cemitérios, de dia e à noite, limpeza e decoração dos túmulos, com arcos de flores, e festa com direito à banda. 

— Se respeita a morte, mas se festeja. Não é algo que nos assusta. Temos de vencer a morte — entende Roberto Hernandez García, 58, que acabava de sepultar um amigo na tarde do dia 2 de novembro, quando estive no cemitério municipal de Ciudad Valles, em San Luis Potosí. 

Um rapaz que acompanhava a despedida, regada a cerveja e tequila, completou: 

— É só uma separação. Logo nos encontraremos. 

Os músicos, aliás, são contratados para a tarefa de animar a festividade. Armando Guapamgos, 40, que há cinco anos canta e toca em bares e restaurantes, resolveu levar sua música para os cemitérios durante o Xantolo há dois. Passa de tumba em tumba oferecendo canções para as famílias — cobra 100 pesos mexicanos por três músicas, o equivalente a cerca de 25 reais. Além de prestar homenagem a quem já partiu, Guapamgos se fortalece.  

— Cantar me alimenta. 

Xantolo, festividade de dia dos mortos em Ciudad Valles, no Estado de San Luis Potosí, no México. Dia 2 de novembro de 2019.
Armando Guapamgos tocando no cemitério de Ciudad Valles pelo segundo ano consecutivoFoto: Juliana Bevilaqua / Agência RBS

CURIOSIDADES

> O Xantolo é festejado não apenas em San Luis Potosí, mas também em Hidalgo, Veracruz, Puebla e no sul Tamaulipas), principalmente nas comunidades náhuatl e tenek.
> O 1º de novembro é dedicado à memória das crianças mortas. Nos altares para os pequenos, itens como doces, refrigerantes e jogos.  
> O dia 2 é destinado aos adultos mortos. Em seus altares, oferendas como o tradicional pão de morto (um pão doce) além de tequila, cerveja e doce de abóbora.  

Decoração de dia dos mortos em Xilitla, município no Estado de San Luis Potosí, no México.
Decoração na praça central de Xilitla, município em San Luis PotosíFoto: Juliana Bevilaqua / Agência RBS

> Xantolo é uma fusão de vocábulos em náhuatl (dia dos mortos) e tenek (sanctorum). Resume a celebração do dia dos mortos e de todos os santos.
> A festividade surge do sincretismo religioso. Durante a era pré-hispânica, o culto à morte esteve presente em diferentes culturas no México. Com a chegada dos espanhóis, houve uma fusão para garantir a "conquista espiritual".  
> Os mexicanos acreditam que nestes dias as almas podem voltar para ficar perto dos seus familiares.

Veja vídeo:

* A repórter viajou ao México à convite da Organização Mundial de Jornalistas de Turismo para participar do Premio Pasaporte Abierto 2019, do qual recebeu menção honrosa na categoria Investigação Jornalística. 

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