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Opinião25/10/2019 | 15h35Atualizada em 25/10/2019 | 15h35

Nivaldo Pereira: Tudo em crise

 "Situações limites nos esperam, globalmente"

Nivaldo Pereira: Tudo em crise Arte de Luan Zuchi/
Foto: Arte de Luan Zuchi
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Com o Sol em Escorpião, chega de flores e levezas librianas, precisamos olhar o real sem atenuantes. E ninguém duvida que o mundo está em crise, que o país está em crise, que a sociedade está em crise. A expectativa de dias cada vez mais difíceis reflete insatisfações e frustrações em larga escala e a necessidade de mudanças que ainda não se efetivaram. Sabemos bem que esse mal-estar coletivo afeta, em algum nível, você e eu. Como Escorpião se relaciona aos processos de eliminação e transformação, convém iluminar essa travessia que chamamos genericamente de crise.

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Na astrologia, configurações angulares entre os planetas lentos costumam marcar grandes ciclos coletivos de ajustes, tensões e conflitos – ciclos de crise, portanto –, como a atual conjunção entre Saturno e Plutão, em Capricórnio. Saturno está em seu próprio signo, que é associado às estruturas de poder político e econômico. O resultado tem sido o fortalecimento do conservadorismo e um controle policialesco da sociedade, como se Plutão reforçasse as restrições normais de Saturno.

Logo mais, em 2020, o gigante Júpiter, regente da justiça e das leis, vai passar também por esse lugar do céu, formando uma rara conjunção tripla. Será que a tirania materialista do poder vertical instituído vai submeter de vez as demais instâncias da sociedade, com o supremo, com tudo? Seremos ainda mais regulados pelos rumos do capital e pela sanha ditatorial de seus barões, já que Plutão tem a ver com plutocracias, o poder dos ricos?

O perigo existe, mas é só um lado da configuração. Na hierarquia planetária, os astros mais distantes tendem a impor seu efeito sobre os mais próximos. Assim, o longínquo Plutão ganha de todos os demais. Ele é o regente de Escorpião, signo que também fala dos processos de morte e finalizações. Não por acaso, o Plutão mitológico era o deus dos mortos e dos tesouros enterrados. Cabia a ele, com a implacável morte ou o poder compensador, manter o equilíbrio da natureza e da humanidade. No céu, tudo o que Plutão toca em seu movimento deve passar por um intenso processo de crise, em que se perde o excessivo e emerge o oculto necessário. O que está inflado explode; o que está reprimido e negado aparece.

Vale lembrar que Plutão dá uma volta completa em torno do Sol em 248 anos. Ou seja, há quase 250 anos ele esteve, como agora, em Capricórnio, coincidindo com a implantação da Revolução Industrial e a consolidação do modelo capitalista. Ora, um ciclo inteiro desse planeta, cujo efeito costuma ser de crise e reparação, não sugere que o mundo permaneça igual, sob um divinizado e implacável crescimento econômico, ainda mais quando esse crescimento gera danos à ampla ordem natural. Assim, a natureza e o meio ambiente tendem a se contrapor furiosamente ao velho modelo predatório. E cada vez mais, os humilhados dos extratos sociais instituídos vão se insurgir, com sangue nos olhos. É lei implacável de Plutão! E os sinais disso já são visíveis.

Costumo ler artigos de analistas econômicos, na tentativa de entender o rumo desse quadro planetário. Muitos relacionam nosso tenso estado de coisas à crise do capitalismo ocorrida em 2008 – justamente o ano em que Plutão entrou em Capricórnio! Parece que, à custa de dureza e cortes nos investimentos, principalmente no âmbito social, a economia dos países ricos voltou a certo equilíbrio. Ah, mas cuidado com o que ficou à margem! Cuidado com o que foi negado! Seja o submundo, seja a natureza. Plutão também empodera a fúria instintiva do impulso de sobrevivência. E de debaixo da terra, como em cena crucial do filme plutoniano Bacurau, pode vir uma reação nada civilizada.

Enfim, situações limites nos esperam, globalmente. Isso ativa ainda mais as ansiedades coletivas e pessoais. Falemos de como lidar com as crises semana que vem.

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