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Opinião04/10/2019 | 18h50Atualizada em 04/10/2019 | 18h50

Nivaldo Pereira: a arte do encontro

Precisamos evocar amor, diálogo, união, humildade, gentileza, paz e solidariedade

Nivaldo Pereira: a arte do encontro Luan Zuchi/
Foto: Luan Zuchi
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Palavras que definam nosso tempo? Ódio, polarização, arrogância, desrespeito, grosseria, violência e individualismo, para citar algumas. No conjunto, elas ilustram uma sensação geral de desalento, de descrença num ideal de humanidade. Numa constatação óbvia, precisamos resgatar a essência do que se contrapõe a esses termos tão duros. Precisamos evocar amor, diálogo, união, humildade, gentileza, paz e solidariedade. E todos esses termos se afinam com o signo de Libra, por onde agora brilha o Sol. Em Libra, o cosmos nos convida a refletir sobre a arte do encontro.

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“A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. A famosa frase do libriano Vinicius de Moraes dá conta de um tema central do signo da balança: a humana necessidade do outro. Nas etapas zodiacais anteriores, definimos um conceito de identidade individual, em Leão, e aprendemos a servir, em Virgem, somente para seguirmos evoluindo em direção ao que é maior que o eu: o nós. Em Libra, primeiro signo coletivo, é preciso haver equilíbrio entre o que somos e o que podemos ser a partir dos encontros, uniões e parcerias. Mas isso não é tarefa fácil, e os pratos dessa mítica balança vivem oscilando.

Libra é chamado de “signo dos relacionamentos” porque se define na relação com o outro. Já ouvimos por aí que ninguém é uma ilha e que é impossível ser feliz sozinho. São afirmações librianas, que definem o inato anseio humano por viver em conjunto. Se a união faz a força, a dois somos mais fortes para enfrentar os desafios da vida. A dois somos capazes de atender com maior plenitude e prazer aos naturais impulsos amorosos. A dois estaremos em contínuo aprendizado na partilha intelectual. A dois, a três, a cem, a mil poderemos construir uma sociedade mais adequada aos tantos outros, como nós, que também querem e precisam viver juntos e em paz.

Libra atua nessa demanda coletiva por união e paz. Aqui, os rituais aprendidos antes, em Virgem, ganham um fundamento social e idealizado. Posturas e ações devem ser adotadas em prol do que se convenciona como melhor para todos. Por exemplo, devemos ser gentis e simpáticos para com os outros, se queremos uma convivência harmoniosa. Devemos ser justos e ponderados em nossas medidas, se queremos que a justiça seja uma realidade. Devemos praticar a escuta, se queremos também ser ouvidos. Devemos aprender a conciliar diferenças, se queremos afinar distintas intenções rumo a um mesmo horizonte.

Tais atitudes, no entanto, não são facilmente efetivadas. Se não internalizamos a humildade e o olhar analítico da etapa virginiana, chegamos aos temas de Libra com um inflado e ressentido ego leonino querendo poder. Sombras de orgulho e vaidade se sobrepõem aos imperativos da união. O outro vira uma mera projeção de nossos desejos egoístas. Não se cria um autêntico espaço para a livre expressão do outro. No fundo, são egos infantilizados e inseguros, carentes de amor próprio. Por isso, não dá para passar de Leão a Libra sem vivenciar Virgem.

Sem a autocrítica virginiana, para identificar nossas carências e fragilidades e buscar soluções, chegamos ao signo das parcerias querendo a compensação de nossos vazios e faltas. Isso produz relacionamentos tóxicos, pautados no opressivo controle e na dependência. Produz omissões e silêncios que conduzem a injustiças. Produz todas as palavras citadas no começo desse texto e que caracterizam nossos dias. Identidades arrogantes, adoecidas por falta de amor e autoaceitação, estão no fulcro de muitos dos modernos desequilíbrios.

Virgem, na etapa anterior a Libra, almeja a autossuficiência. Quem não é inteiro exige ser completado pelo outro. Quem não reconhece suas imperfeições certamente vai responsabilizar os outros por isso. E culpar algo ou alguém por todos os males do mundo também é tendência moderna. Aí, entre egos armados e falta de autocrítica, complica equilibrar interesses pela paz e criar uma relação saudável. E aumentam os desencontros pela vida.

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