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Plurilinguismo22/10/2019 | 07h50Atualizada em 22/10/2019 | 07h50

Encontro desta terça-feira à noite, em Caxias, trata da perpetuação de línguas como talian, indígena e afro

Evento é realizado pelo Colegiado Setorial da Diversidade Linguística do Rio Grande do Sul, na Casa das Etnias, e serve de clamor para a permanência da cultura imaterial

Encontro desta terça-feira à noite, em Caxias, trata da perpetuação de línguas como talian, indígena e afro Ilustração Luan Zuchi/Agencia RBS
Pesquisa realizada entre 2017 e 2018 aponta para o percentual das pessoas que tem domínio do talian, em relação àquelas que apenas tem uma compreensão parcial da língua. Fonte: Fonte: Colegiado Setorial da Diversidade Linguística do Rio Grande do Sul Foto: Ilustração Luan Zuchi / Agencia RBS

Nesta terça-feira, dia 22,  ocorre um daqueles encontros tão importantes que pode gerar resultados para as gerações futuras. Mas como mensurar a sua relevância? Essa é a luta do Colegiado Setorial da Diversidade Linguística do Rio Grande do Sul, órgão vinculado à Secretaria da Cultura do Estado (Sedac). Em pauta, a partir das 19h, Plurilinguismo: valores e perspectivas, em discussão no Ponto de Cultura Casa das Etnias, em Caxias do Sul. Antes de mais nada, o que é plurilinguismo?

– Há muitas línguas presentes no mundo e a internet fez o trabalho de espalhar todas elas. A isso chamamos de multilinguismo. O plurilinguismo é a habilidade e a competência das pessoas falarem mais do que uma língua – explica João Tonus, Secretário Executivo do Colegiado, Especialista em Língua Talian e um dos fundadores do Grupo Teatral  Miseri Coloni.

Décadas atrás não se falava sobre o assunto, porque os moradores da Serra Gaúcha aprendiam a falar os dialetos italianos, alemães ou poloneses, por exemplo, em casa. Da mesma forma que nas comunidades negras e indígenas, é a partir do lar que essas línguas são levadas às gerações futuras. 

Mas se hoje a discussão transcende grupos de pesquisadores, já repercute em sala de aula, gera demandas dentro das universidades e propostas recebem incentivo por parte de editais como o da Educação Patrimonial, recém promovido pelo governo do RS, é porque o assunto é urgente. Pelo menos pensam assim as pessoas preocupadas com a cultura.

– Existe hoje um movimento e interesse na cultura imaterial. Mas se a gente não fizer um estímulo às identidades locais, tratando a língua como uma identidade local, seja afro, talian, ou indígena, essa cultura vai acabar. Não é difícil de se atuar nesse segmento, mas é preciso ter um governo com vontade política e investimento por parte das universidades na formação de professores com uma nova visão ao tratamento das línguas. Esse é o nosso desafio, e de todas as comunidades que desejam preservar sua cultura – defende Tonus, que já foi secretário da Cultura de Caxias.

Frame do vídeo La lengua talian la va a scola, de Le DarosA menina é a protagonista do filme, Ana Júlia Tegner da SilvaDir. de foto: Bruno LongoniAssist. de foto e edição: Rafael BuenoDireção do vídeo: Le DarosRoteiro e coordenação geral: João Wianey TonusNo elenco tb temos a Elaine Braghirolli, a Cibele Tedesco e a menina Mariana Gheno SingeskiRevisão do talian: Juvenal Dal CastelOrganização musical: Cibele TedescoArticulação do grupo: Claudio TroianEstúdio de gravação: JV EstúdioCoro Infantil do Colégio São João BatistaApoio do Colégio SJB e da Upplay Comunicações
Ana Júlia Tegner da Silva é a protagonista do curta-metragem La lengua talian la va a scola, a ser exibido nesta terça-feira, dia 22Foto: Bruno Longoni / Divulgação

Em um senso realizado entre 2017 e 2018, é possível identificar as cidades que têm realizado um trabalho mais sistemático e que reverbera na comunidade. Como é o caso de Antônio Prado, a cidade com melhor percentual, com 82,90% da população que domina o Talian (confira os demais índices no quadro ao lado). No entanto, quando se esmiúçam os dados, principalmente por faixa etária, há um grave indicativo de que poucas pessoas vão falar o talian, só para ficar no exemplo de uma das línguas aqui na região.

– Se avaliar a pesquisa por idade, se percebe que na faixa de até 15 anos de idade, o talian quase desapareceu. Se a geração que são os pais dessas crianças e adolescentes não reverterem esse indicativo com os seus filhos, e se o poder público não realizar políticas para reverter isso, vamos ver o cenário de Antônio Prado deixar de ter 80% de domínio, para daqui 50 anos cair para 3% – deduz Tonus.

Um das formas de provocar a mudança de pensamento é o encontro de hoje, que terá entre as suas atrações, a exibição do curta-metragem com roteiro de Tonus e direção de Le Daros, chamado La lengua talian la va a scola (ou em uma tradução literal para o português, A língua talian vai à escola). Faz parte ainda da programação uma série de palestras com estudiosos do assunto como os professores Cléo Altenhofen (Colegiado Setorial da Diversidade Linguística do RS), Ingrid Kuchenbecker (UFRGS) e Everaldo Cescon (UCS).

Agende-se
O quê:
Semana das Etnias - Plurilinguismo: valores e perspectivas.
Quando: terça-feira, dia 22 de outubro, a partir das 19h.
Onde: Ponto de Cultura Casa das Etnias ( Av. Independência 2542, Bairro Panazzolo, Junto ao Centro de Cultura Ordovás, atrás do Fórum).
Quanto: Entrada franca.

Programação do encontro
19h
Coro Infantil do Colégio São João Batista (multilíngue), regência da maestrina Cibele Tedesco.
Lançamento do vídeo La lengua talian la va a scola, direção de Le Daros.

19h30min
Quais perspectivas e tarefas os inventários das línguas abrem para a municipalidade, a escola e a universidade? (Talian concluído, Hunsrik em fase final, Pomerano iniciando). Professor Cléo Altenhofen (Colegiado Setorial da Diversidade Linguística do RS)

Programa de Educação para o Plurilinguismo.
Professora Ingrid Kuchenbecker (UFRGS)

Formação de professores de Talian: possibilidades da UCS
Professor Everaldo Cescon (UCS)

A experiência de professores de Talian de Antonio Prado.

A experiência de professores de Hunsrik de Santa Maria do Herval e Nova Hartz.

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