Reflexões sobre homens e animais são tema da peça "Arena Selvagem", atração em Caxias do Sul nesta quarta-feira - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Teatro10/09/2019 | 15h40Atualizada em 10/09/2019 | 15h40

Reflexões sobre homens e animais são tema da peça "Arena Selvagem", atração em Caxias do Sul nesta quarta-feira

Espetáculo do Grupo Cerco, de Porto Alegre, integra programação do 21º Caxias em Cena

Reflexões sobre homens e animais são tema da peça "Arena Selvagem", atração em Caxias do Sul nesta quarta-feira Adriana Marchiori/Divulgação
Carcaças de animais são parte do figurino do espetáculo que pergunta: "O que é ser selvagem?" Foto: Adriana Marchiori / Divulgação

Selvagem é palavra de múltiplas interpretações. Se aplicada ao ser humano, nos define em nosso aspecto mais fundamental, mas também em nossas piores manifestações. Em especial nos ambientes urbanos, verdadeiras selvas de pedra. Ao nomear Arena Selvagem o espetáculo que  chega nesta quarta-feira Caxias do Sul, dentro do 21º Caxias em Cena, o Grupo Cerco mergulhou na literatura, na sociologia e na antropologia para encontrar o que resta da natureza animal na vida transformada pelas interações no ambiente urbano. 

Recorrendo à técnica de colagem, que faz um texto original com a mistura de obras já existentes, o elenco e a diretora, Inês Marocco, trazem ao roteiro fragmentos de Franz Kafka, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Carvalho e outros autores pinçados no acervo do Teatro de Arena, da Capital, alguns já levados ao palco e outros censurados pelo antigo Departamento de Censura da Polícia Federal, durante a ditadura. 

– A gente namorou esse tema durante uns dois anos. Eu trabalho a espetacularidade na pós-graduação da UFRGS, e, frequentemente, busco textos que mostram como o homem e o animal performam desde que nascem. Essa parece uma temática cada vez mais urgente de ser mostrada, na medida em que a gente está cada vez mais afastado dessa origem, como se fosse algo positivo, quando, na verdade, a gente menospreza o nosso lado mais importante. Se nossa natureza selvagem tem um lado perverso, ao mesmo tempo é primordial – destaca Inês Marocco, premiada com o Açorianos de Melhor Direção em 2018, por Arena Selvagem.

No palco, a peça de destaca pelo trabalho competente do elenco, que se utiliza de poucos recurso cênicos e aposta principalmente na performance. A diretora destaca que a repercussão durante a primeira temporada na Capital, no inverno passado, foi muito positiva:

– Como todo processo de criação, este ocorreu muito no caos e na incógnita. A gente cria sabendo o que não quer, mas sem saber exatamente o que quer. Foi uma criação rápida, para cumprir com o prazo do edital (SEDAC, 50 Anos do Teatro de Arena), mas a repercussão foi surpreendente. O público se identificou muito, recebemos muitos comentários sobre o quanto o tema era atual e como nós atingíamos diferentes níveis de se abordar o aspecto selvagem do ser humano. 

Criado em 2008 em Porto Alegre, o Grupo Cerco já participou de outras edições do Caxias em Cena com alguns dos seus principais espetáculos, como O Sobrado e Incidente em Antares. Este ano, trouxeram também a peça infanto-juvenil Puli-Pulá, apresentada na última terça-feira. 

A programação de hoje do 21º Caxias em Cena tem ainda os espetáculos Sra. T.A.G. (15h, Biblioteca Parque) e Entrelinhas (20h, Teatro do Sesc). Ambos têm entrada gratuita e classificação 12 anos. O evento segue até o próximo domingo (15), com espetáculos e oficinas. 

Programe-se
O quê
: espetáculo Arena Selvagem, do Grupo Cerco
Quando: quarta-feira (11), às 20h
Onde: Sala de Teatro Dr. Valentim Lazzarotto (Centro de Cultura Ordovás)
Quanto: entrada gratuita
Classificação: 16 anos

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