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Opinião09/09/2019 | 10h21Atualizada em 09/09/2019 | 11h24

Marcos Kirst: ela sondava  outros planos

Se mal conseguimos reger a nós mesmos, que poder podemos imaginar possuir sobre o nosso entorno?

Há coisas que dão no que pensar, não é mesmo, madama? Podemos tirar lições (se refletirmos direitinho) para nossas vidas a partir de episódios que, sob uma análise apressada e superficial, poderiam passar batidos pelos domínios de nossas atenções e correriam o risco de serem descartados na lata de lixo da memória, para onde varremos aquilo que julgamos sem valor e inócuo (ah, cuidado com o acúmulo de pequenos entulhos debaixo do tapete, que um dia eles se avolumam, se revoltam e, daí, haja aspirador de pó potente para removê-los de lá, a gente sabe, né, madama minha?). Pois ao findar dessa semana que passou, encasquetei com um fato que ocorreu bem longe daqui e que se recusa a desocupar os flocos de pensamentos que povoam e nublam constantemente meus pensares. Deve haver algum significado nisso.

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Trata-se do sumiço inexplicável e atordoante da sonda espacial indiana Vikram, que deveria ter pousado na lua na última sexta-feira, mas que, poucos minutos antes da alunissagem, quando já estava em processo de descida ao solo do nosso romântico e brilhoso satélite, cortou comunicações com a base terrestre sediada na Índia e deu xabu: sumiu, escafedeu-se, desapareceu, não se sabe mais dela. A decepção entre a equipe de astrônomos indianos e de toda a nação asiática é astronômica, afinal, apostavam no sucesso da missão, que carimbaria o ingresso da Índia no seletíssimo grupo dos países que já conseguiram arremessar com sucesso artefatos artificiais produzidos pelo homem ao solo da lua. Até agora, só Estados Unidos, China e Rússia (quando ainda era União Soviética) conseguiram fazê-lo. A Índia também queria, mas a Vikram (que significa algo como “valoroso”, no idioma hindu) parecia acalentar secretamente seus próprios planos e aproveitou uma piscadela dos controladores de voo para escapulir e ir se enfiar em alguma dobrada nas infinitas lonjuras espaciais, sem nem deixar bilhetinho de adeus.

Por onde anda a Vikram? Terá ido veranear em algum anel de Saturno? Foi bater um papo com a solitária sonda Viking nas crateras de Marte? Vai até Plutão para conferir in loco se ele é mesmo um planeta ou não? Impossível saber, afinal, ela não dá notícias de seu paradeiro. A vida é assim, madama: os seres (reais ou artificiais) nem sempre agem do jeito como foram programados ou de forma a atender as expectativas que depositamos neles. Se mal conseguimos reger a nós mesmos, que poder podemos imaginar possuir sobre o nosso entorno? Foi-se a Vikram, viver seu próprio destino. A nós, cabe conduzirmos os nossos, da melhor maneira possível.

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