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Feira do Livro 201927/09/2019 | 17h29Atualizada em 27/09/2019 | 17h29

Literatura negra será abordada em mesa temática neste domingo

Escritores Ronald Augusto, Eliane Marques e Edimilson de Almeida são os convidados 

Literatura negra será abordada em mesa temática neste domingo Editora Taverna/Divulgação
Um dos temas abordados serão as escritoras negras, entre elas Maria Firmina dos Reis, autora de " Úrsula", lançada em 1859 Foto: Editora Taverna / Divulgação

A literatura negra vai ganhar uma mesa temática de suma importância dentro da Feira do Livro de Caxias do Sul. O encontro será realizado às 17h deste domingo, na Galeria de Arte Gerd Bornheim, com pesquisadores da temática sob diferentes perspectivas. 

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Os limites do conceito de literatura negra serão abordados pelo escritor e poeta de Rio Grande Ronald Augusto.  

— Quando se fala em literatura negra, está implícita uma denúncia de que existe uma literatura branca, um sistema que prioriza autores brancos. Quando se fala em literatura negra se está tentando romper com esse modelo disfarçado sob conceito de universalidade, se questiona a ideia de que a literatura é universal, de que fala para todos, que não tem cor, sexo, gênero — revela ele. 

Escritora e advogada de Sant'Ana do Livramento, Eliane Marques ficará responsável por dar vazão à literatura negra protagonizada por mulheres. A linha de pesquisa dela joga luzes a nomes como o de Maria Firmina dos Reis, autora de Úrsula, obra lançada em 1859 e considerada o primeiro romance abolicionista brasileiro, além de um dos primeiros de autoria feminina no Brasil. Das escritoras contemporâneas, Eliane destaca nomes como de Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves, Marilene Felinto, Lívia Natália e Fernanda Bastos.  

— Essas autoras trazem um trabalho novo, tratam de temas ainda não falados, produzem uma linguagem a partir do que se diz inexistente. É um universo a ser construído — aponta.

Já Edimilson de Almeida propõe um olhar histórico sobre a literatura negra que tem origem em modelos sociais herdeiros da escravidão.    

— Em muitos casos, um dos direitos que se tirou foi o direito à fala, não por acaso, os castigos que se empunham às populações escravizadas eram castigos que marcavam um corpo que deveria ser silenciado. Uma das formas mais brutais consistia no corte da língua, para evitar que trocassem informações, que falassem seus idiomas — aponta o mineiro.

Cicatrizes históricas como essas conduziriam muitos escritores a uma literatura entranhada em referências do real.

— Por mais que isso traga limitações, às vezes de natureza estética ou de recepção no cenário da literatura acadêmica, ela se faz ainda muito necessária. Até porque o quadro de repressão e de retirada de direitos dos afrodescendentes ainda está muito longe de ser solucionado — diz Pereira.

A mediação da mesa ficará sob responsabilidade de Lucas Caregnato.

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