Gilmar Marcílio: horas perdidas - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião13/09/2019 | 07h00Atualizada em 13/09/2019 | 07h00

Gilmar Marcílio: horas perdidas

Quem se compraz, que imponha suas opiniões com fúria, num tom acima do que a elegância permite

Viver é confrontar-se. Toda ação implica estar diante do outro, ouvir e respeitar ideias que nem sempre coincidem com as que professamos. Num primeiro impulso, tendemos a tecer argumentos veementes para defender determinadas posturas. Porém, é mais construtivo receber as percepções alheias sem preconceitos pré-estabelecidos. É uma tarefa difícil a qual nem todos se entregam, pois exige uma contenção do próprio ego e uma disponibilidade para reavaliar nossa visão frente a um sem número de assuntos. Essa predisposição geralmente nasce quando já nos encontramos na maturidade e o desejo de permanecer no ringue diminuiu consideravelmente. Mas há vantagens em adotar a serenidade diante de qualquer altercação. Assim o prova a experiência e o bom senso. Agir sob o impulso emocional gera arrependimento. Sempre.

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Imagine que alguém se queixe com veemência de uma atividade mal executada. Mas que poderia ser facilmente contornada. Dessas coisas que acontecem com qualquer ser humano. É chato, mas todos já passamos por algo parecido. Não considero isso falta de profissionalismo. Prefiro ser mais suave nesta questão. Penso: que importância isso vai ter daqui a cinco anos ou mesmo na semana que vem? Absolutamente nenhuma. Tudo irá para a vala comum do esquecimento. É a grande lição que nos legou o imperador e filósofo Marco Aurélio. Então, diante de situações como a descrita acima, ouço com todo a atenção, corrijo a falha e deixo a vida seguir com leveza. Quem ganha com isso? Quem permanece aquietado, pois a adrenalina não se altera e nenhum sentimento de raiva é acessado.

Se você reagir num tom de fúria, terá computado esse tempo como o das horas perdidas, inutilizadas pela incapacidade em manter o equilíbrio diante de um fato que poderia facilmente ser desconsiderado. Rapidamente tudo pode ser resolvido e o mundo seguirá indiferente aos nossos princípios de vaidade. Devemos, sim, defender com tenacidade o que acreditamos, mas dando a quem convive conosco a tolerância ao erro e a possibilidade de se redimir. Pronto. Uma boa amizade não foi desfeita e a sensação de ter agido corretamente é recompensada com uma doce paz de espírito.

Quem se compraz, que imponha suas opiniões com fúria, num tom acima do que a elegância permite. Não contem comigo para desempenhar esse papel. Quero abraçar a linguagem dos poetas, não dos que se revoltam por tudo e por nada. Um dia ou mesmo um minuto roubados são para sempre.

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