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Teatro24/09/2019 | 08h00Atualizada em 24/09/2019 | 09h44

Dois espetáculos que provocam reflexões sobre o Brasil serão apresentados em Caxias do Sul

"Traga-me a cabeça de Lima Barreto" é atração nesta quarta-feira, no Teatro Pedro Parenti. "A Mulher Arrastada" será apresentada na sexta-feira

Dois espetáculos que provocam reflexões sobre o Brasil serão apresentados em Caxias do Sul Adeloya Magnoni/Divulgação
Ator baiano Hilton Cobra encarna Lima Barreto Foto: Adeloya Magnoni / Divulgação

Duas facetas distintas da realidade brasileira serão levadas ao palco nos espetáculos que chegam a Caxias do Sul nesta semana, dentro do programa Palco Giratório 2019, do Sesc. Numa delas, travamos contato com o país que renega seus gênios, muitas vezes relegando-os ao ostracismo ou só oferecendo postumamente o devido reconhecimento. Outra nos faz confrontar o país que minimiza a importância das vidas da população mais pobre e carente, por vezes tirando-as sem dó ou piedade nos morros e periferias.

Monólogo estrelado pelo baiano Hilton Cobra, Traga-Me a Cabeça de Lima Barreto joga luz sobre a história de um dos grandes escritores brasileiros, que por três vezes pleiteou uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, mas em todas bateu com a cara na porta. O espetáculo mostra Lima Barreto em sua loucura, seu convívio com a pobreza e com alcoolismo e o abandono. À recortes biográficos mistura-se a ficção, com a narrativa partindo de uma exumação do seu corpo para que médicos eugenistas (linha defensora da higienização racial na década de 1930, alinhada com o pensamento nazista) pudessem analisar o seu cérebro, a fim de entender como uma mente “inferior” conseguiu produzir uma obra tão grandiosa. 

Foto de cena de A Mulher Arrastada, com Celina Alcântara.
Atris gaúcha Celina Alcântara performa Cláudia Silva Ferreira, a “mulher arrastada”Foto: Regina Peduzzi Protskof / Divulgação

A mulher arrastada, por sua vez, faz recordar a história de um nome que pouco diz, quando citado fora de seu contexto: Cláudia Silva Ferreira. Em 2014, Cláudia foi baleada por policiais militares e depois atirada às pressas no porta-malas de uma viatura, que abriu e fez seu corpo ser arrastado pelas ruas centrais do Rio de Janeiro, sob o olhar perplexo dos transeuntes. O atestado de óbito confirmaria que a morte foi provocada pelo tiro, mas seu corpo foi dilacerado no asfalto. Negra e pobre, seu caso teve repercussão na mídia, que na maior parte do tempo se referiu a ela como “a mulher arrastada”. Estrelada pela gaúcha Celina Alcântara, a peça mistura realidade e ficção, buscando fazer justiça à biografia de Cláudia, uma trabalhadora, mãe de quatro filhos e dona de um nome e uma identidade.

A 22ª edição do Palco Giratório somará 642 apresentações artísticas, que chegarão a 138 cidades brasileiras. Em Caxias do Sul, o Sesc conta com a parceria do espaço Tem Gente Teatrando, que sediará a apresentação de A Mulher Arrastada. 

Programe-se
O quê:
peça "Traga-me a cabeça de Lima Barreto"
Quando:
quarta-feira, às 20h
Onde:
Teatro Pedro Parenti (Rua Dr. Montaury, 1.333)
Quanto:
R$ 20 e R$ 10 (à venda no local)

O quê: peça "A Mulher Arrastada"
Quando:
sexta-feira, às 20h
Onde:
Espaço Tem Gente Teatrando (Rua Regente Feijó, 37)
Quanto:
R$ 20 e R$ 10 (à venda no Sesc ou no local)

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