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Opinião16/08/2019 | 18h52Atualizada em 16/08/2019 | 18h52

Pedro Guerra: para tudo

A gente insiste em querer fazer de tudo, e tudo sempre ao mesmo tempo, né?

Pedro Guerra: para tudo Antonio Giacomin / Divulgação/Divulgação
Foto: Antonio Giacomin / Divulgação / Divulgação

O último mês foi do tipo 3 em 1. Quando eu pensei que já estava no fim, ainda faltavam muitos dias pela frente. Julho foi uma turbulência, foi trabalho, trabalho e mais trabalho. Tudo valeu a pena – sempre vale quando a gente faz o que gosta. Mas depois de toda a maratona, a vida fez questão de interromper a rotina (ou falta dela) e dizer: para tudo.

Não foi nada grave. Entre um exame de rotina e outro, descobri que algumas hérnias da infância resolveram dar as caras mais uma vez, e aí a intervenção foi necessária. E já que eu gosto da praticidade das coisas (para não declarar que sou ansioso), marquei a cirurgia o quanto antes. Se é pra ser, que seja agora.

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Precisei me afastar. Durante o repouso, pensei sobre como a vida nos desacelera quando necessário. Prefiro acreditar que é um sinal, sabe, como se ela nos sussurrasse: vai com calma. A gente insiste em querer fazer de tudo, e tudo sempre ao mesmo tempo, né?

Não era o meu caso, mas também pensei sobre como cada doença nada mais é do que um aviso. É como um sintoma que serve de alerta e cabe a nós escutar. A doença é um recado que nos pede para alterar o nosso padrão mental – algo não está certo, e as consequências se apresentam desta forma. Será que cabe, então, tratar uma doença (de uma dor de cabeça a algo maior) como uma vilã?

Quando decidimos observar cada situação com uma ótima mais simples, parece que fica mais fácil enfrentar os desafios. A mudança nasce e sobrevive a partir da gente. E só.

Travei longos diálogos com o responsável pela minha cirurgia não programada: no caso, eu mesmo. O que é que estou fazendo comigo? Quanto e como é que estou me cuidando? Qual é o meu limite e porque insisto em ultrapassá-lo mais do que deveria?

A vida não precisa ser uma urgência. Acho mais bonito dizer que a vida é feita de pequenas interrupções. Dito isso, cabe a nós decidir como enxergar cada momento: lição ou punição?

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