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Opinião30/08/2019 | 15h58Atualizada em 30/08/2019 | 15h58

Nivaldo Pereira: virgem no caos

Não está nada fácil expressar a essência de Virgem sem esbarrar na frustração

Nivaldo Pereira: virgem no caos Luan Zuchi/
Foto: Luan Zuchi
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

O Sol brilha em Virgem, mas o signo da ordem e do zelo anda tenso nestes tempos caóticos. É que no lado oposto do céu, em Peixes, transita o regente deste, Netuno, espalhando fumaças, confusões, mentiras e delírios em escala global. Como ter algum controle num mundo que parece se dissolver? Como valorizar a lógica se a realidade soa absurda? O que fazer se a ilusão coletiva turva as mentes, negando o real?

Por essas e outras, o signo do trabalho e dos critérios se percebe impotente e desanimado. Não está nada fácil expressar a essência de Virgem sem esbarrar na frustração. Não falo somente dos virginianos, mas da parte Virgem no mapa astrológico de cada um. Em algum nível ou lugar, a sensação de impotência fragiliza a todos. Então, como manter a saúde física e mental num mundo alucinado e doente? Convém examinar essa situação com frieza e discernimento, no melhor estilo virginiano.

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Virgem e Peixes formam no zodíaco o eixo do serviço. Virgem pertence ao objetivo elemento terra e se expressa com aguda inteligência – é regido por Mercúrio – em ações concretas para aprimorar a si mesmo e o ambiente. Nesse propósito, inventa a técnica e o trabalho, o senso crítico e o rigor. Viver é ser útil, numa atitude prestativa, exigente e realista.

Já Peixes pertence ao subjetivo elemento água e encerra o zodíaco, concentrando em si todas as facetas do humano. Sua vibração envolve empatia e compreensão, entrega e aceitação de uma realidade maior, transcendente. Peixes relativiza todas as coisas, borrando as certezas e as definições que Virgem tanto aprecia. No entanto, ambos se complementam: Virgem oferece parâmetros de realidade aos sonhos piscianos, enquanto Peixes suaviza os rígidos critérios virginianos.

Netuno não está passando por Peixes somente para bagunçar os virginianos e espalhar insanidades. É um ciclo coletivo (vai até 2026), de viés emocional e espiritual, que sugere a empatia necessária a um mundo hiperconectado pela tecnologia e já globalizado na esfera da economia, mas que ainda se escora em restrições, discriminações e fronteiras fechadas. Netuno mostra, a duras penas, que estamos todos no mesmo barco planetário. Precisamos nos reconhecer como uma única humanidade, independentemente de nossas virginianas definições e classificações. Eis o cerne da tensão.

Netuno embota a visão mecânica e racionalista que vem dando rumo à nossa história. Mostra que a nova ordem das coisas não cabe nas antigas caixas. E que insistir em usar as conhecidas molduras conceituais é pedir para se frustrar. Diante do caos – talvez necessário a uma dissolução que nos unifique –, devemos ter cuidado e praticar a simpatia e a consideração ao próximo. Nada pior nesse trânsito que entrincheirar-se em suas certezas e culpar os contrários pelos problemas. Sob a fumaça de Netuno, é mais sensato reconhecer que, no mínimo, todos podemos estar um tanto loucos e histéricos.

pSe vibrarmos juntos como raça humana, priorizando o bem comum e o respeito às diferenças, então poderemos extrair o melhor da passagem de Netuno por Peixes. E esse melhor é uma espiritualidade que acolhe, um sonho coletivo que não exclui, uma compaixão que nos liberte da indiferença e do egoísmo.

Tendo a flexibilidade como regra de ouro no cotidiano, Virgem deve rever seus métodos e hábitos enquanto durar a incerteza netuniana. Deve lembrar que tudo que é grande – como um novo mundo, uma nova consciência – começa com pequenos gestos e rituais. E cuidar de si mesmo é o que lhe cabe agora, na miudeza silenciosa dos dias. É se poupar do que já se sabe ser veneno e tratar o corpo e a alma como templos sagrados. Se o mundo anda enlouquecido, urge não enlouquecer também.

Cito, por fim, o virginiano Caio Fernando Abreu em seu desespero de cuidar do jardim no nevoento e gelado inverno: “Há situações em que o máximo que se pode fazer é rezar. E esperar, claro, entre suspiros”.

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