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Opinião30/08/2019 | 07h00Atualizada em 30/08/2019 | 07h00

Gilmar Marcílio: vontade

Somos movidos pelo desejo e fazemos dele a alavanca para conquistar o que se quer

O que te faz sair da cama toda manhã, seguir com tua rotina de trabalho, compromissos profissionais e afetivos? Não costumamos reservar tempo para pensar sobre essa questão. Relendo alguns trechos da obra do filósofo Schopenhauer, deparo-me com essa indagação e a transfiro para o plano mais imediato da vida. Somos movidos pelo desejo e fazemos dele a alavanca para conquistar o que se quer. Essa é a parte boa da história. Mas esquecemos de analisar como isso nos aprisiona. Ao ansiar mais e mais, entramos numa roda-viva sem fim. Nossa independência sucumbe ao que cremos ser escolha. Nunca é. O pensador, considerado o grande pessimista do mundo das ideias, diz que o verdadeiro gênio tem o domínio de si mesmo; controle, ao menos parcial, do que não obedece à razão. Ele não se entregará facilmente ao que pertence unicamente aos instintos, seja em questões relacionadas à comida, sexo, paixões, etc. Como conseguir isso, que na teoria até não parece tão difícil? Ampliando a consciência sobre o que nos escraviza, impondo determinações baseadas no raciocínio inteligente, não na entrega fortuita. Assim, provaremos nossa modesta superioridade em relação aos outros animais.

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Lembremos que, quando em depressão, o que primeiro nos abandona é justamente essa capacidade de interagir, de colocar-se diante das adversidades, suplantando-as. Ficamos prostrados, como se o sentido último da realidade tivesse desaparecido. Quando em boas condições de saúde psíquica, podemos tomar as rédeas da situação e sermos os condutores do nosso próprio destino. Não se deve esbravejar contra ninguém, pois a responsabilidade pelas ações é de quem as pratica. Aqui pode-se apontar um caminho para quem quer ter um mínimo de independência pessoal. Ampliar o conhecimento através da arte, empreendendo jornadas que nos forcem a ver o mundo para além da visão autorreferente a que estamos acostumados. Assim, seguiremos mais seguros das decisões, pois elas não estarão mais submetidas ao que acreditamos ser exterior a nós.

Formulo para mim algumas divisas para o bem-viver. Uma delas, apontada por um amigo: continue abrindo portas, mas com a certeza de que poderá fechá-las quando precisar. Busque, ao menos em alguns momentos, apoderar-se dessa potência que é uma de nossas características mais admiráveis. Sigamos leves, certos de que erros e acertos fazem parte de nosso itinerário. Tudo que olhamos de frente perde o seu aspecto amedrontador.

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