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História12/08/2019 | 08h00Atualizada em 12/08/2019 | 08h00

Exposição em Caxias aborda perseguição aos negros durante a Segunda Guerra Mundial

"Nossa Luta" fica em cartaz até o dia 22, no Centro de Cultura Ordovás

Exposição em Caxias aborda perseguição aos negros durante a Segunda Guerra Mundial Museu do Holocausto de Curitiba/Divulgação
Foto: Museu do Holocausto de Curitiba / Divulgação

O que lhe vem à mente quando falamos em Holocausto? Provavelmente, as deprimentes cenas do genocídio que vitimou aproximadamente 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, os corpos amontoados nas valas comuns dos campos de concentração e os prisioneiros magérrimos, de cabelos raspados, roupas listradas e um número tatuado no braço.

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Não são poucos os filmes que abordaram esse triste momento histórico, casos de A Lista de Schindler (1993), A Vida é Bela (1994), O Pianista (2002) e também o brasileiro Olga (2004). Pouco se fala, no entanto, que o regime nazista de Adolf Hitler também executou membros de outras minorias étnicas, religiosas e políticas, como ciganos, homossexuais, comunistas, testemunhas de Jeová, prisioneiros de guerra soviéticos e pessoas com deficiências físicas e mentais.

Com o povo negro não foi diferente. Quando Hitler chegou ao poder, em 1933, milhares de negros viviam na Alemanha, embora o número exato não tenha sido calculado pelos censos da época. De forma geral, uma comunidade formada por famílias que migraram das colônias germânicas na África e passaram a ser sistematicamente perseguidas após as leis raciais de Nuremberg de 1935.

Esse capítulo da história, pouco lido ou abordado, é o tema central da exposição Nossa Luta: a perseguição aos negros durante o Holocausto, que será aberta ao público nesta segunda-feira (12), no Centro de Cultura Ordovás. A mostra, promovida pelo Museu do Holocausto de Curitiba e com passagem inédita pelo Rio Grande do Sul, reúne 23 painéis e duas vitrines com fotos e textos explicativos.

– O diferencial da exposição é mostrar que, no Holocausto, houve perseguição não somente aos judeus, mas às minorias, de forma geral. Há evidências que nos trazem isso. E também é uma forma de amplificar o debate e falarmos das perseguições que existem ainda hoje – afirma Eduardo Gross, diretor executivo da Federação Israelita do RS, uma das entidades apoiadoras do evento.

Em cartaz no Ordovás, exposição inédita no Rio Grande do Sul aborda perseguição aos negros durante a Segunda Guerra
Foto: Museu do Holocausto de Curitiba / Divulgação

Com a proposta de oferecer novas narrativas aos educadores, a exposição contextualiza a repressão sofrida pelos negros desde o período colonial alemão, incluindo o genocídio de hereros e namaquas (no território da atual Namíbia), passando pelo período republicano do país (1919-1933), até a ascensão do totalitarismo nazista.

– Praticamente todas as tragédias que aconteceram na humanidade foram estudadas sob a perspectiva europeia. A gente não consegue perceber que outros grupos foram tão atingidos quanto, ou até mais. Essa exposição vem justamente para mostrar que essas tragédias, como genocídios e ditaduras, também atingiram a população negra – ressalta a historiadora Caren Daiane da Silva, que palestra amanhã, às 9h15min, traçando paralelos da temática com a importância dos negros na formação cultural e econômica do Brasil.

Nossa Luta: a perseguição aos negros durante o Holocausto integra a programação da Semana da Fotografia de Caxias do Sul e fica em cartaz até o dia 22, com palestras e atividades voltadas ao público escolar (veja a lista completa abaixo). O agendamento de visitas guiadas para turmas escolares pode ser feito pelo telefone (54) 3901-1316, ramal 201. Até o momento, mais de 20 escolas das redes municipal e estadual já fizeram reserva de horários – o que demonstra a relevância do tema.

Depois da passagem pelo Ordovás, os painéis seguem para Porto Alegre, onde serão expostos na Câmara de Vereadores, de 27 de agosto a 17 de setembro.

PROGRAME-SE:

Em cartaz no Ordovás, exposição inédita no Rio Grande do Sul aborda perseguição aos negros durante a Segunda Guerra
Foto: Museu do Holocausto de Curitiba / Divulgação

:: O quê: exposição Nossa Luta: a perseguição aos negros durante o Holocausto.
:: Visitação: de 12 a 22 de agosto; de segunda a sexta, das 9h às 22h; finais de semana, das 16h às 22h.
:: Onde: Centro de Cultura Ordovás (Rua Luiz Antunes, 312).
:: Quanto: entrada gratuita.

Atividades
:: Dia 12 (segunda), às 18h:
abertura da exposição, apresentação artística com Tonico de Ogum e Bruna Cardoso e abordagem sobre o negro no mercado de trabalho, com Letícia Padilha.
:: Dia 13 (terça), às 9h15min: palestra com a historiadora Caren Daiane da Silva.
:: Dia 14 (quarta), às 9h: capoeira com o grupo Conquistador da Liberdade.
:: Dia 15 (quinta), às 13h30min: roda de conversa sobre educação e combate ao racismo, com Adriana Santos.
:: Dia 16 (sexta), às 9h: capoeira com o grupo Conquistador da Liberdade.
:: Dia 19 (segunda), às 9h15min: roda de conversa sobre religiosidade, com Sergio Ubirajara.

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