Edital suspenso por Bolsonaro pode afetar produção audiovisual da Serra - Cultura e Tendência - Pioneiro

Vers?o mobile

 
 

Cinema23/08/2019 | 16h39Atualizada em 23/08/2019 | 16h39

Edital suspenso por Bolsonaro pode afetar produção audiovisual da Serra

Caxiense André Costantin tinha duas propostas de séries entre as finalistas

Edital suspenso por Bolsonaro pode afetar produção audiovisual da Serra Transe Filmes/Divulgação
Foto: Transe Filmes / Divulgação

A mais recente polêmica entre o governo federal e a classe artística pode trazer reflexos para o setor audiovisual da Serra gaúcha. Isso porque o cineasta caxiense André Costantin, conhecido pela série documental Vento Sul (2017), concorria com duas propostas entre as finalistas do edital suspenso após o presidente Jair Bolsonaro criticar a presença de séries com temática LGBT entre as pré-selecionadas.

Leia mais:
Em Gramado, Miguel Falabella lê carta aberta em apoio ao cinema brasileiro

A medida foi publicada no Diário Oficial da União da última quarta-feira (21), em portaria assinada pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra. Segundo o texto, o chamamento ficará suspenso por um prazo de 180 dias, podendo ser prorrogado pelo mesmo período.

Uma das propostas de Costantin era a série documental Toca, Brasil!, finalista no bloco temático “manifestações culturais”. A produção, com orçamento total de R$ 1 milhão, seria ancorada em ritmos e vertentes da música brasileira. A segunda proposta, finalista na categoria “sexualidade”, era a série televisiva Retratos & Revelações. O material, orçado em R$ 800 mil, abordaria o complexo universo da sexualidade, passando por questões comportamentais e de gênero, com abrangência nacional.

Se realizadas, as produções gerariam cerca de 30 empregos diretos cada uma, em até dois anos de realização. Procurado pela reportagem para comentar o assunto, Costantin disse estar desanimado frente ao que chamou de “escalada de censura do governo”.

— A suspensão do edital representa um ataque ao que fazemos. Sei que diante de uma Amazônia em chamas, talvez não signifique tanto, mas é um rastilho de pólvora muito grave. Qual será o próximo passo? Quem garante que amanhã ou depois não possam censurar a matéria que você está escrevendo? — questionou o cineasta.

Costantin, que desde 1999 comanda a produtora Transe Filmes, teme que a suspensão do edital impacte na geração de empregos. Segundo dados da Ancine, o setor audiovisual é responsável por mais de 91 mil postos de trabalhos diretos e indiretos no Brasil.

— Eu tenho uma empresa há 20 anos. Nunca dependi de editais públicos para manter o negócio, mas esse cenário traz muito impacto na vida dos produtores audiovisuais. Depois de duas décadas, pode ser que esse ano eu precise fechar — desabafa.

O edital, lançado em março de 2018 pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), com participação da Agência Nacional de Cinema (Ancine) e da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), tinha como objetivo financiar produções independentes para exibição em emissoras públicas, educativas, comunitárias, universitárias e legislativas.

O chamamento previa um aporte de R$ 70 milhões, dividido igualmente para produções de todas as regiões do Brasil. Foram mais de 600 projetos inscritos e 289 classificados para a fase final, onde os investimentos seriam decididos por uma comissão técnica.

Em resposta à suspensão, o Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro expediu ofícios ao Ministério da Cidadania e à Ancine requisitando informações, determinando um prazo de 10 dias para a reposta do governo.

Leia também:
"A democracia não está consolidada no Brasil", critica Lilia Schwarcz
Ator de "Wasp Network" recebe o Kikito de Cristal no Festival de Cinema de Gramado nesta sexta
Um dos mais tietados no tapete vermelho, Du Moscovis fala sobre o filme "Veneza"


 
 
 

Veja também

 
Pioneiro
Busca
clicRBS
Nova busca - outros