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Patrimônio19/08/2019 | 17h05Atualizada em 19/08/2019 | 17h06

Após incêndio no Museu Nacional, museus de Caxias registram aumento de público de 79%

Mesmo sem comprovação de que o sinistro no Rio de Janeiro tenha relação direta com o aumento de frequentadores, o fato pode ter influenciado no crescimento

Após incêndio no Museu Nacional, museus de Caxias registram aumento de público de 79% Felipe Nyland/Agencia RBS
Público da Casa de Pedra aumentou 148% no primeiro semestre de 2019 Foto: Felipe Nyland / Agencia RBS

Sensibilização após o incêndio que devastou o Museu Nacional? Resposta aos cortes de verbas públicas para educação e cultura? Maior divulgação de exposições com selfies de visitantes nas redes sociais?

Hipóteses não faltam. Fato é que os museus brasileiros estão em alta em 2019. Levantamento divulgado pelo G1 na última semana, considerando 40 grandes museus de todas as regiões do país, revela que o público do primeiro semestre foi 61% maior na comparação com o mesmo período do ano passado.

O cenário não é diferente em Caxias do Sul. Segundo levantamento solicitado pelo Pioneiro, o número de visitantes nos museus da cidade registrou crescimento de 77% no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2018. O aumento mais significativo foi registrado pela Casa de Pedra, que passou de 2,3 mil visitantes de janeiro a junho do ano passado para 5,9 mil no mesmo recorte de tempo em 2019, um crescimento de 148%.

Os demais espaços analisados pela reportagem também registraram crescimento, conforme mostra o infográfico abaixo. O Memorial Atelier Zambelli, que ficou fechado de agosto de 2017 a janeiro deste ano para conter problemas de infiltração, foi deixado de fora da análise por não haver base comparativa.

SALTO APÓS TRAGÉDIA

Média mensal de público em 2018 (antes e depois do incêndio no Museu Nacional)Foto: Luan Zuchi / Agência RBS

Um dos fatores que pode ter contribuído para o aumento de público nos últimos meses foi o incêndio que atingiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, na noite de 2 de setembro do ano passado. A tragédia, que resultou na destruição quase total do acervo mantido pela instituição ao longo de 200 anos, sensibilizou a opinião pública e amplificou o debate sobre preservação do patrimônio histórico.

Coincidência ou não, os museus mantidos pelo município de Caxias do Sul registraram aumento significativo no número de visitantes imediatamente após a tragédia. De janeiro a agosto de 2018 (ou seja, antes do incêndio), a média mensal de público nos cinco espaços analisados era de 1.858 pessoas. De setembro a dezembro (depois da fatalidade), o mesmo índice saltou para 3.327 visitantes, um incremento de 79%.

— Acredito que, no inconsciente coletivo, o incêndio no Museu Nacional esteja relacionado com o aumento de público, inclusive pela procura crescente de turmas escolares, preocupadas com a educação patrimonial — constata Daniela Fraga, diretora da Divisão de Museus da Secretaria da Cultura.

Embora não haja um estudo específico para confirmar a relação direta entre o incêndio no Rio de Janeiro e o aumento pela procura do público, quatro dos cinco locais analisados em Caxias registraram crescimento na média mensal: Casa de Pedra (170%), Monumento ao Imigrante (105%), Museu Municipal (45%) e Museu da FEB (10%). O único espaço que contrariou essa tendência foi o Museu da Uva e do Vinho Primo Slomp, em Forqueta, com queda de 24%.

— É triste pensar que esses números tenham relação com uma tragédia. Claro que seria necessário fazer uma pesquisa científica para confirmar, mas é uma hipótese viável. Parece que, no Brasil, os problemas passam a ser enxergados de outra maneira quando acontece uma tragédia — analisa Anthony Beux Tessari, diretor do Instituto Memória Histórica e Cultural (IMHC) da UCS.

OUTROS FATORES

Total de visitantes no primeiro semestre, 2018 x 2019Foto: Luan Zuchi / Agência RBS

No caso de Caxias do Sul, outras variáveis podem ter relação com o aumento de público nos espaços de memória — principalmente na comparação dos números do primeiro semestre de 2019 com igual período do ano passado. É o caso da Festa da Uva, realizada de 22 de fevereiro a 10 de março, resultando em maior fluxo de visitação principalmente em pontos turísticos como a Casa de Pedra e o Monumento ao Imigrante.

— Outro fator que vale salientar são as exposições itinerantes, que trazem de volta aquelas pessoas que já conhecem o museu, o projeto Museu Arte Viva, que leva atrações artísticas aos espaços de memória aos domingos, e também os eventos realizados na cidade. Em julho do ano passado, por exemplo, a UCS recebeu um seminário nacional que trouxe muitos visitantes de São Paulo ao Museu Municipal — destaca Daniela.

Mesmo com os índices de crescimento verificados pela reportagem, o número total de visitantes ainda deixa a desejar, se levarmos em conta que Caxias do Sul tem uma população de 502 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE em 2018. No acumulado de janeiro a dezembro, os cinco museus registraram 28,1 mil visitantes, entre turistas e comunidade local.

— Chegar em um museu, muitas vezes, é uma corrida de obstáculos, desde a passagem de ônibus, pois grande parte dos museus está nos centros, longe das periferias. Muitas pessoas não se sentem convidadas a entrar num museu, não se sentem representadas. Em que pese que, nos últimos anos, existe um esforço das diferentes equipes que estiveram à frente da Divisão de Museus para atrair novos públicos — conclui Tessari.

CURIOSIDADES
2018
:: O público total dos cinco museus ficou em 28.171 visitantes.
:: O museu mais procurado foi a Casa de Pedra, com 10.221 visitantes, 36% do total.
:: Considerando os cinco espaços analisados, o mês mais movimentado foi novembro, com público de 4.677 pessoas.

2019
:: O público total, de janeiro a junho, ficou em 16.193 visitantes.
:: O museu mais procurado segue a Casa de Pedra, com 5.908 visitantes, novamente 36% do total.
:: O mês mais movimentado foi março, com público de 4.275 pessoas nos cinco locais analisados.

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