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Opinião21/08/2019 | 07h00Atualizada em 21/08/2019 | 07h00

Andrei Andrade: vozes

*Interino: o colunista Ciro Fabres está em férias

Eu recém entrava na adolescência quando ouvi Janis Joplin e achei aquela voz rouca e estridente a melhor voz que já havia escutado. Escutava seus discos por tardes ociosas inteiras, sabendo que ninguém jamais seria capaz de me emocionar tanto. A adolescência deveria ser cheia de dúvidas, mas é cheia de certezas. 

Já era um jovem adulto que colecionava camisetas de bandas de rock quando o rastro de Janis Joplin me levou a outra cantora, chamada Etta James, cujos vocais me impressionaram ainda mais. Deslumbrado, foi como se aquela descoberta pusesse fim ao relacionamento com Janis e eu quisesse apenas viver meus dias embalado por aquela voz cheia de sentimentos, que trazia aos meus ouvidos o lamento de I’d Rather Go Blind e a energia de Something’s Gotta Hold On Me. Durante anos não me interessava ouvir qualquer música cantada por uma voz feminina que não fosse a de Etta James. 

Conforme fui deixando de lado o rock para mergulhar mais fundo no blues, novas paixões vieram: conheci Koko Taylor, Nina Simone, Bessie Smith. Até o dia em que conheci Big Mama Thornton. Aquela nova diva em minha vida me levou a esquecer até mesmo de Etta James, enquanto me dizia que tudo ficaria bem. Everyting’s Gonna Be Alright. E se não bastasse cantar, a nova paixão ainda soprava harmônica, tocando com força no meu ponto fraco. Quando me perguntavam sobre Janis ou sobre Etta, limitava-me a dizer: conheçam Big Mama Thornton.

Estou falando dos meus 20 e poucos anos. Deve ser parte da juventude essa sensação de que amores se substituem. Hoje nutro a mesma admiração por Janis, Etta e Big Mama (mesmo que há algum tempo venho arrastando o ouvido para a Elza Soares). Mas sempre me ocorre citar essa sucessão músico-amorosa quando falo por aí da beleza que há nessa capacidade de sermos transformados pelo que vivemos. Fases vêm e vão e aquilo que passou talvez nem tenha realmente passado. Porque um dia aquela paixão adormecida pode retornar ainda mais forte. E aí tu vais querer ouvir novamente Janis Joplin cantar Venha! Venha cá e leve outro pedacinho do meu coração.

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