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Opinião 19/07/2019 | 17h21Atualizada em 19/07/2019 | 17h21

Pedro Guerra: sonhos recicláveis

Tem vezes que a gente nem mesmo pensa se o tal sonho ainda faz sentido, se não seria melhor buscar uma alternativa

Pedro Guerra: sonhos recicláveis Antonio Giacomin/Divulgação
Foto: Antonio Giacomin / Divulgação

Quando eu era menor, o meu maior sonho de vida era me tornar um escritor reconhecido. Eu estaria no topo da lista dos livros mais vendidos da Veja por várias semanas; meu nome figuraria entre o top 5 escritores para o público juvenil; e a minha carreira incluiria turnês por todos os estados do país. Durante anos acreditei que era exatamente isso que eu queria, e eu já até mesmo imaginava os títulos das matérias nos grandes jornais quando eu resolvesse conceder uma entrevista exclusiva.

E aí tudo mudou.

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Assim mesmo, de uma hora para outra, mas com argumentos válidos o suficiente para sustentar todo esse recálculo de rota. A ideia surgiu aos poucos, dia a dia, a cada novo trabalho realizado. Enquanto isso, em paralelo eu ainda traçava os planos de me mudar para São Paulo e seguir aquela velha receita de que para trabalhar com cultura (e ganhar dinheiro com isso) é necessário esse deslocamento físico. Eu até já podia escutar a minha mãe chorando e se perguntando porque o seu filho não nasceu querendo ser professor, médico, ou qualquer outra profissão com residência quiçá mais fixa.

Mapeando tudo isso, lembrei das cidades com menos de dois mil habitantes que visitei. Lá eu pude contar um pouco da minha história, eu fiz amigos, conquistei novos leitores e vivemos experiências incríveis. E aí isso se repetiu, só que em outro lugar. E tudo foi acontecendo tão naturalmente que, parando para pensar, tudo soou lógico: é aqui que eu pertenço.

Eu preciso fazer isso.

Eu preciso continuar fazendo o que estou fazendo.

Isso não significa que eu não vá sair para explorar o mundo algum dia. Contudo, por enquanto, a missão que meu peito parece gritar para que eu cumpra é essa, é aqui. É isso. É tudo isso. E de quebra, eu sou tão feliz por poder fazer o que faço!

Ter que abrir mão de um sonho não é fácil. Muitas vezes a gente insiste que é aquilo e pronto, nascemos destinados para tal e não há quem nos faça mudar de ideia (voilá: nós mesmos somos os responsáveis por isso). Tem vezes que a gente nem mesmo pensa se o tal sonho ainda faz sentido, se não seria melhor buscar uma alternativa - não por ser difícil demais ou até mesmo impossível, mas sim porque vamos amadurecendo, conquistando e querendo coisas novas. E aí, assim como tudo aquilo que deixa de fazer sentido - ou até mesmo perde o seu significado -, precisamos reciclar. Até mesmo os nossos sonhos.

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