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Opinião12/07/2019 | 13h00Atualizada em 12/07/2019 | 14h26

Nivaldo Pereira: o abraço do caranguejo

Arrisco dizer que, se alguém inventou o abraço, só pode ter sido um canceriano!

Nivaldo Pereira: o abraço do caranguejo Luan Zuchi/
Foto: Luan Zuchi
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Espiemos o caranguejo, eu seu caminhar enviesado, meio de ladinho, como quem não quer nada. Se fareja perigo, as pinças se abrem, defensivas. Mas essas pinças também podem se abrir em intenção oposta, prontas para acolher e enlaçar fortemente um outro ser. Arrisco dizer que, se alguém inventou o abraço, só pode ter sido um canceriano! Ah, peitos abertos, corações confiantes, quentura de corpos unidos, vínculos reafirmados, intimidade e proteção mútua: o paraíso do signo da nutrição emocional cabe na concha de um verdadeiro abraço.

Mas, sabemos, nem todo abraço tem esse nível de concha calorosa. Há abraços curtos, duros, frouxos ou burocráticos, como os das mensagens que se encerram com abraços que jamais serão dados. Enquanto cumprimento social, até chegar aos “abç” e “abs” da internet, o abraço tem toda uma história. Não existiu sempre, não é um hábito universal e há povos mais abraçadores que outros. O antropólogo Luís da Câmara Cascudo dizia que o abraço chegou ao Brasil com os portugueses. Nossos desconfiados índios não o praticavam. Pois veja só, hoje gostamos mais de abraçar que os portugas!

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Voltando ao abraço apertado canceriano, esse gesto tem um fundo instintivo. Nossos parentes gorilas também abraçam, e certamente não o fazem para seguir etiquetas. Todo bebê humano também já nasce sabendo se enroscar na mãe, seja por proteção ou por nostalgia de quando os dois eram um só, na gestação. Taí: o abraço reporta à fusão uterina! São corpos unidos num gesto de ancestral retroalimentação – e isso é canceriano demais. Por isso, abraçar acalma a mente, nutre a alma, anima o espírito. Num abraço, o corpo libera o hormônio oxitocina, que produz bem-estar físico e emocional. Já existe até uma terapia do abraço, chamada de amplexoterapia, usada em casos de tristeza e depressão.

E não é que o Brasil anda carente de abraços? Depressivo, dividido e desumanizado, precisa trocar as pinças em armas pelo abraço que acolhe e aceita. Ei, cancerianos: braços e corações à obra, urge espalhar o abraço do caranguejo! Nesses tempos glaciais, cantemos com o Jota Quest: “O melhor lugar do mundo / É dentro de um abraço”.

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