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Opinião19/07/2019 | 17h24Atualizada em 19/07/2019 | 17h24

Nivaldo Pereira: a tarefa de Simba

Como se sintonizado com a estreia do remake de "O Rei Leão", o Sol vai deixando Câncer para ingressar em seu próprio signo, Leão

Nivaldo Pereira: a tarefa de Simba Luan Zuchi/
Foto: Luan Zuchi
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Como se sintonizado com a estreia do remake de O Rei Leão, o Sol vai deixando Câncer para ingressar em seu próprio signo, Leão. Da carapaça do caranguejo para a exuberância solar leonina: é a vez de o ser gerado nas águas cancerianas se expressar como individualidade sob o fogo criador. Mas, como no filme, não basta simplesmente assumir o que se pode ser e brilhar na própria luz. É preciso lidar com os conteúdos trazidos da bagagem familiar, que tanto podem sustentar como inibir a potência individual. Assim como o leão Simba vai precisar superar traumas antigos e reivindicar seu lugar único na linhagem dos antepassados, todos nós, em maior ou menor grau, precisamos criar uma história própria a partir de enredos herdados.

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E quantos enredos! Câncer nos vincula a uma matriz que não se restringe aos nossos pais. Estes também tiveram pais e avós e bisavós, de modo que somos um elo numa cadeia tão antiga quanto gigantesca de legados. Herdamos traços físicos e emocionais, forças e fragilidades, valores e tradições. E também recebemos sonhos frustrados, amores não vividos, dons reprimidos, tanta história que não aconteceu. Por isso, realizar-se como pessoa, a partir da própria natureza, nem sempre é uma tarefa fácil. Literalmente, é dose para Leão!

Ser inteiro é tarefa do nosso herói interior. E a mitologia grega é cheia de heróis trágicos, enredados em velhas maldições familiares, como no caso do infeliz Édipo. Ah, mas também havia Apolo, o belo deus condutor da carruagem do Sol! Além de senhor das artes e da luz, Apolo tinha o poder de desfazer maldições herdadas. É um símbolo do Sol como energia consciente, que dirige a vontade em direção a novas possibilidades de ser, para além de limites impostos pelas circunstâncias.

O Sol em Leão evoca os curativos dons apolíneos, queimando culpas e ressentimentos, desfazendo nós antigos de dores e rancores. Não se trata de ignorar o passado, mas de poder escolher narrativas mais felizes para a própria vida, até mesmo em honra ao suor e ao sangue dos antepassados. E para que as próximas gerações herdem roteiros mais leves e livres.

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