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Políticas Públicas29/07/2019 | 18h41Atualizada em 31/07/2019 | 18h35

"Medellín também é aqui", diz Beatriz Araujo ao citar que violência no RS será combatida com cultura

Avaliação é da Secretária Estadual da Cultura, Beatriz Araujo, que veio a Caxias apresentar plano integrado para conter a violência

"Medellín também é aqui", diz Beatriz Araujo ao citar que violência no RS será combatida com cultura Lucas Amorelli/Agencia RBS
Beatriz Araujo apresentou o caso da cidade de Medellín, na Colômbia, cuja realidade de violência foi transformada através de ações culturais Foto: Lucas Amorelli / Agencia RBS

A reunião-almoço de da segunda-feira (dia 29 de julho), na CIC, em Caxias, foi recheada de simbolismos. Do lado de fora, antes da cena lá dentro acontecer, o Quarteto de Cordas da Orquestra da UCS entoava acordes de música erudita. Antes do pronunciamento da secretária de Cultura do Rio Grande do Sul, Beatriz Araujo, o projeto RAPajador ocupava o palco para cantar em versos uma defesa da cultura. Para além disso, e de certa forma em estreita e afinada sintonia com o rap, Beatriz fez o anúncio de um projeto transversal do governo do Estado mirando na diminuição da criminalidade, tendo a arte e a cultura como protagonistas.

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O edital específico para a cultura faz parte do programa RS Seguro e vai disponibilizar R$ 1 milhão para projetos em 18 cidades do Estado, entre elas, Caxias. O orçamento virá através de uma parceria com a Randon, que terá isenção de 100% do ICMS, por repassar este valor ao governo. Estas cidades concentram 80% dos crimes violentos do RS e foram escolhidas a partir de pesquisa com dados entre 2009 e 2018.

— Quando tomei ciência dos números do RS Seguro, percebi que eram números alarmantes. Precisamos trabalhar para mudar essa realidade. A partir desse programa, passamos a atuar de uma forma mais forte, trabalhando um edital específico para esses 18 municípios. Não estamos lidando com "eu acho", são números e indicadores que foram apurados e temos responsabilidade sobre eles. Medellín também é aqui — revela a secretária.

Medellín, a segunda maior cidade da Colômbia, e por vezes, mais conhecida pelo narcotráfico, é o estudo de caso desse programa do governo a que se refere Beatriz. Em Medellín o plano de ação contra a violência contemplou 90% de ações culturais, em uma cidade que ampliou o investimento em cultura de 0,6% para 5% e, em educação, de 12% para 40%. Como resultado direto ocorreu uma diminuição dos índices de violência na região, que está 95% menor do que há 20 anos.

— O Jorge Melguizo (Secretário da Cultura Cidadã, de 2005 a 2010) sempre aborda que o trabalho feito deve ser olho no olho, com afeto, e que é preciso tratar as pessoas violentadas com carinho, e abordar a todos como se fossem pessoas violentas — defende Beatriz.

A secretária estadual de Cultura cita ainda um exemplo de uma ação policial orquestrada para dominar uma favela do Rio de Janeiro. O caso ficou mundialmente conhecido, porque dois mil policiais subiram o morro e cravaram uma bandeira como sinal de conquista. O caso ocorreu em 2010, no Complexo do Alemão. 

— Na época, o Jorge Melguizo questionou porque dois mil policiais subiram a favela e não dois mil maestros. "Porque tem de ser dois mil policiais com arma e não maestros com instrumentos musicais" — cita Beatriz.

O que para muitos é utopia, para a secretária é foco e objetivo. A intenção não é apenas mudar a realidade social das pessoas que têm sofrido mais com a violência, mas ampliar a presença de ações culturais nas comunidades.

— Para que o projeto de algum produtor cultural de Caxias seja contemplado, precisa ser realizado na maioria daqueles bairros e atender aqueles jovens que estão em vulnerabilidade — explica.

Conforme pesquisa realizada pelo RS Seguro, com dados entre 2009 e 2018, os seis bairros mais vulneráveis de Caxias são Centenário, Cidade Nova, Desvio Rizzo, Planalto, Santa Catarina e Santa Fé. Ao todo, o edital do programa deverá beneficiar sete projetos para formação e qualificação na área cultural com R$ 80 mil e, 11, com R$ 40 mil, distribuídos pelas 18 cidades do Estado, incluindo Caxias, como a única representante da Serra. Podem participar pessoas jurídicas que desenvolvam ações por, no mínimo, quatro meses.

RS SEGURO
::
Programa transversal de Segurança Pública e Defesa Social. Será realizado nos 18 municípios* mais populosos (acima de 65 mil habitantes) que concentraram 80% das mortes violentas do RS no período 2009-2018.
*Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Capão da Canoa, Caxias do Sul, Esteio, Gravataí, Guaíba, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Rio Grande, Santa Maria, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Tramandaí e Viamão.

NÚMEROS DA VIOLÊNCIA NOS 18 MUNICÍPIOS
:: 40% da população do Estado (2017)
:: 80% das mortes violentas (2009 a 2018)
:: 89% dos roubos a veículos (2009 a 2018)
:: 80% dos roubos a pedestres (2009 a 2018)

RS SEGURO EM CAXIAS
:: Edital a ser lançado a fim de beneficiar ações cultuais com projetos para os seguintes bairros Centenário, Cidade Nova, Desvio Rizzo, Planalto, Santa Catarina e Santa Fé. Estes bairros atendem a oito escolas e 8 mil estudantes.

CASE MEDELLÍN
:: Gestão Jorge Melguizo - Secretário da Cultura Cidadã (2005 a 2010)
:: Entendimento de que os bairros não são violentos, são violentados
:: Educação e cultura como elementos de transformação social
:: Plano de ação contra a violência contemplou 90% de ações culturais
:: Cidade ampliou o investimento em cultura de 0,6% para 5% e, em educação, de 12% para 40%
:: Redução nos casos de homicídios: de 382 para 39 casos por 100 mil habitantes
:: Resultado: violência na região está 95% menor que há 20 anos

DJ Hood já faz a sua batalha contra a barbárie


Há sempre quem esteja no caminho certo antes mesmo de as instituições ou governo olharem para ele. DJ Hood mantém sem recursos governamentais, na base do apoio comunitário, um projeto que beneficia 60 jovens, no Loteamento Conquista, no bairro Santa Corona. A conquista dele é, através do hip hop, aulas de grafite e jiu-jitsu, tornar melhor o lugar onde vive.

— A mudança da galera é bem visível, na escola Santa Corona, onde 90% dos participantes do projeto frequentam, estão se comportando melhor. As professoras dizem que eles têm se tornado mais apaziguadores na escola — revela o DJ Hood.

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