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Seção do leitor04/07/2019 | 06h00Atualizada em 04/07/2019 | 06h00

Leia o artigo "Sociedade de direitos?", de Janet Marize Vivan

Texto foi publicado na edição do Pioneiro desta quinta-feira

Leia o artigo "Sociedade de direitos?", de Janet Marize Vivan Luan Zuchi/
Foto: Luan Zuchi

Trabalho com crianças, adolescentes e suas famílias há vinte e um anos. Uma das formas de harmonizar o convívio familiar e minimizar a violência é estabelecer acordos em relação a trabalhos domésticos, estudos e lazer. Esta tarefa era mais fácil há alguns anos, pois havia o entendimento de que para todo direito correspondia um dever, uma obrigação. Assim como havia o conhecimento de que para se obter recursos ou benefícios era necessário um investimento em tempo e trabalho, ou seja, obrigações. 

Já na última década, a tarefa de estabelecer acordos, que implicam restrições, limites e responsabilidades, tem ficado mais difícil porque crianças e adolescentes não conhecem, literalmente, as palavras: deveres e obrigações. Ao mesmo tempo em que a cartilha dos direitos é completamente conhecida. Isso também é válido a respeito de muitos pais e mães. Valorizar as conquistas de uma sociedade de direitos, em termos econômicos, sociais e humanos é imprescindível. No entanto, a ilusão de que uma sociedade de direitos pode se perpetuar sem que haja a contrapartida dos deveres e obrigações é uma falácia ideológica mal-intencionada ou desprovida de inteligência. É um total absurdo pensar em garantia de direitos sem que os deveres sejam cumpridos. 

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Outro engano ideológico é a questão do que seja público e gratuito. Ensino público gratuito, saúde pública gratuita, transporte público gratuito. Há serviços públicos, sim. Mas nada é gratuito. Os serviços públicos são financiados por empresas e pessoas que trabalham e pagam impostos. Ou seja, para que alguém tenha um direito, outro alguém tem um dever. As gerações atuais que nasceram e cresceram ouvindo repetidamente o mantra de seus direitos precisarão reaprender o equilíbrio entre direitos e deveres, pois uma sociedade só será de direitos quando todos os cidadãos estiverem também cumprindo seus deveres.

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