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Comunidade22/07/2019 | 10h01Atualizada em 22/07/2019 | 10h49

Grafiteiro retrata cenas de bairro de Caxias em cartinhas colecionáveis

Projeto é desenvolvido no Centro Cultural Espírita Jardelino Ramos

Grafiteiro retrata cenas de bairro de Caxias em cartinhas colecionáveis Andrigo Martins/Divulgação
Emanuel Gonçalves, Pierry da Silva de Oliveira e Maria Eduarda Zaballa Martins se divertem com as cartinhas Foto: Andrigo Martins / Divulgação

Você conhece a expressão “cupixa”? Caso a resposta seja “não”, nós explicamos: trata-se de uma gíria muito comum em comunidades periféricas para se referir à amizade, à camaradagem. Ser cupixa de alguém é sinal de confiança, motivo de orgulho. E mais um exemplo de como a língua portuguesa é versátil e se adapta facilmente a diferentes locais e contextos.

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Mas “cupixa” também é uma das nove cartinhas criadas por Andrigo Martins para retratar o cotidiano das crianças atendidas pelo Centro Cultural Espírita Jardelino Ramos, em Caxias do Sul. A brincadeira começou há cerca de três semanas, quando o grafiteiro perguntou para os pequenos quais suas brincadeiras preferidas. A resposta foi quase imediata: as cartinhas, que geralmente retratam astros do futebol ou personagens de videogame e são utilizadas para o famoso “jogo do bafo”, que consiste em tentar virá-las apenas com uma batida de mão.

Foi aí que Andrigo teve a ideia: por que não organizar uma oficina para as crianças produzirem o próprio jogo? E mais: por que não retratar os lugares e as pessoas da própria comunidade? O resultado é o projeto Krtinhas da Q’brada, que também traz cenas como a “Toca da Onça”, a “Quadrinha” do bairro e “Simião”, que homenageia o presidente da associação de moradores e já ganhou status de raridade cobiçada entre a gurizada.

Projeto do grafiteiro Andrigo Martins retrata cenas da comunidade em cartinhas colecionáveis
Cartinhas homenageiam cenários e personagens do Jardelino RamosFoto: Andrigo Martins / Divulgação

— As crianças foram dizendo o que era importante na comunidade e eu fui criando as ilustrações. Isso é importante: todas as cartinhas foram criadas com referências das próprias crianças. É uma forma de dar protagonismo a eles e reforçar o vínculo com o lugar onde moram — conta Andrigo, nascido, criado e morador do bairro Belo Horizonte.

Aproveitando o retorno positivo que a iniciativa teve entre as quase 90 crianças atendidas pelo centro cultural do Jardelino Ramos, a ideia é espalhar o projeto para outras comunidades. Sempre, é claro, retratando as gírias, os personagens e os cenários de cada bairro. Nas palavras de Andrigo, “um exercício de empoderamento”:

— Cada cartinha tem uma pontuação e eu vejo que eles ficam felizes vendo cenas da própria realidade. É muito importante fortalecer os vínculos comunitários e ainda falar de valores como amizade e amor. Eu sei que as cartinhas são apenas uma brincadeira, mas espero que elas possam contribuir com mudanças sociais.

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Em junho, Andrigo e o também grafiteiro Felipe Borges coloriram uma escadaria no bairro Belo Horizonte. O artista também é conhecido por grafites que homenageiam a menina Naiara e o papeleiro Carlos Miguel.

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