Gilmar Marcílio: vida imperfeita - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião12/07/2019 | 07h00Atualizada em 12/07/2019 | 07h00

Gilmar Marcílio: vida imperfeita

Contente-se com o que a existência lhe oferece. É o suficiente. Diminua as expectativas, encurte o desejo

Melhor nos acostumarmos desde já: a possibilidade de encontrar a perfeição é praticamente nula. Não deixa de ser admirável o esforço que muitos fazem para reduzir as falhas, mas o resultado fica longe do desejado. Pensando nisso é que percebi o quanto a nossa época é obcecada pela excelência, por atingir patamares que estão quase além do humano. Mais vale nos contentarmos com o que nos é oferecido do que ficar tristes só por não termos nos alçado a alturas absurdas. Dificilmente minha fala é no sentido de condenar o que hoje se vive, sonhando com um ideal que não foi jamais atingido. Vamos refletir sobre situações que nos cercam e que apresentam ônus e bônus, como foi no passado e, provavelmente, se repetirá daqui para a frente. A elas:

Você foi aquinhoado com uma beleza angelical. Parabéns, e embora o mérito seja todo da natureza, o certo é que muitas portas se abrirão por conta disso. Porém, não saberá se as pessoas se aproximam pelos seus méritos ou simplesmente porque anseiam “consumir” essas suas características estéticas. Sem falar que a velhice costuma ser mais danosa, pois a perda desses atributos joga muitos ao encontro do desespero, como se tivessem perdido a razão mais importante de existir.

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Você nasceu numa família rica, muito rica. Ou, como tem acontecido mais atualmente, ainda na adolescência conseguiu criar um produto ou inventar um jeito de se apresentar ao mundo na internet que o fez ganhar milhões ainda jovem. O lado bom? Poderá usufruir de tudo o que o dinheiro proporciona: carros, viagens, namoradas/namorados, roupas, prazeres sem fim. E os amigos? Bem, aí já fica mais complicado separar os que lhe são leais ou se aproximam por mero interesse. Ter uma situação financeira privilegiada é sedutor, quase afrodisíaco. Caberá descobrir quando o afeto é verdadeiro ou é uma consequência das benesses que pode conceder aos outros.

Você mora num grande centro urbano e tem acesso a tudo de bom que a modernidade lhe dá. Restaurantes estrelados, as melhores peças de teatro, lojas de grifes famosas e uma fauna humana bem variada, dessas que diminuem em nós o sentimento de inadequação, pois o normal e o natural não estão enclausurados em uma categoria única. Maravilha, mas e a angústia que isso gera? Ter que escolher constantemente, acompanhado da sensação de que se pode estar longe do melhor. Aí volta a se lembrar de vinte ou trinta nos atrás e sente uma certa nostalgia do tempo em que, mesmo reclamando, parecia bem mais feliz e sereno ao ter diante de si uma ou duas marcas de produtos e nenhum shopping. Idem para sites de relacionamentos.

A lista é quase infinita e mostra que sempre ganhamos e perdemos, tendo nascido nessa época ou em 1800. Em Paris ou no interior de Tocantins. Contente-se com o que a existência lhe oferece. É o suficiente. Diminua as expectativas. Encurte o desejo. Olhe: não falta nada. Aproveite.

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