Ciro Fabres: aquela noite - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião17/07/2019 | 07h00Atualizada em 17/07/2019 | 07h00

Ciro Fabres: aquela noite

Me faz bem  acreditar. Libera a imaginação e propõe a conquista do desconhecido

Eu estava em casa naquela noite. Era um aluno do 4º ano do então curso primário, anterior ao curso ginasial. Ambos viriam a se transformar depois no antigo 1º Grau, hoje Ensino Fundamental. A tevê recém experimentava os primeiros passos rumo a sua inexorável popularização. Tevê em preto e branco, cheia de chuviscos, com um único canal. No caso, era a TV Piratini, canal 5, que reproduzia a programação da Rede Tupi de Televisão. A programação começava às 5 da tarde. Com frequência, por falhas nas antenas de retransmissão, a tevê ficava muitos dias “sem pegar”, isto é, só chuvisco, sem sinal algum. Creiam os mais jovens, assim se dava nossa conexão com o mundo, e também por meio das emissoras de rádio. Mas vamos devagar, não havia rádio FM. Naquela noite, havia o prodigioso fato de que o homem pisaria na Lua pela primeira vez, que a televisão nos traria por meio de imagens entrecortadas da Nasa. Agora no sábado, serão 50 anos desde que Neil Armstrong deixou a primeira pegada na Lua, seguido depois por Buzz Aldrin. Integravam a tripulação da Apollo 11.

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Muitos não acreditam, até hoje. Transita por aí a teoria da conspiração de que o homem nunca pisou na Lua. Era época de Guerra Fria entre EUA e a antiga União Soviética, que tinha deflagrado a chamada corrida ao espaço. Eu acredito. Antes de mais nada, porque me faz bem acreditar. Porque libera a imaginação e propõe a conquista do desconhecido. Esse é um tema fascinante, que remete a uma determinada postura diante da vida. Esse é o grande fascínio da conquista do espaço, uma jornada rumo ao desconhecido.

Observada a questão sob esse ângulo, é incompreensível, e uma enorme frustração, que as missões tripuladas ao espaço tenham sido interrompidas com a Apollo 17, no início dos anos 70. Porque, hoje, o ser humano detém conhecimento e tecnologia para empreender ousadas aventuras espaciais. Ficou o desconhecido por desvendar. Por outro lado, há uma questão séria a ser ponderada. O investimento nas jornadas rumo ao espaço é gigantesco, enquanto estamos longe de resolver os problemas em nosso planeta: pessoas que morrem de fome, agressões ao meio ambiente, migrantes e crianças que perambulam em busca de dias melhores e tombam pelo caminho. A ordem das prioridades deve ser daqui para fora.

Feita essa consideração, o desconhecido deve nos mover sempre, em combinação com as respostas urgentes a nossas questões mais agudas. Em busca de mais respostas, e de mais dúvidas, pois assim caminha a humanidade. Só que, conforme Lulu, o passo ainda é “de formiga e sem vontade”.

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