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Opinião02/07/2019 | 07h00Atualizada em 02/07/2019 | 07h00

Adriana Antunes: Nix foi abandonada

Até quando teremos de falar sobre assuntos como esse que já deveríamos ter superado?

Já escrevi sobre este assunto, mas lamento, terei de voltar a ele. Neste fim de semana encontramos uma gatinha preta abandonada. Mais uma, entre tantos bichos que são largados pelas ruas, nas esquinas, em terrenos baldios e onde mais a imaginação irresponsável do ser humano permitir. Penso que sim, poderíamos estar falando sobre assuntos deveras menos repetitivo. Acredito que muitos pensem assim, mas a ética nas pequenas atitudes revela responsabilidade e ética em escalas maiores. Caso contrário sofremos de demagogia. 

Ter um animal em casa é escolher ter uma vida consigo por anos a fio. Cachorros e gatos duram dez, 12, 18 anos. Eu mesma tive um cachorro que durou 26 anos. Como? Com cuidados de alimentação, medicação quando necessária, um lugar bom para dormir, proteção no inverno, liberdade e carinho. Depois de tanto tempo convivendo, os bichos passam a se tornar membros da família. Eles conversam, são companheiros, brincam, aliviam nosso estresse, são fieis e tudo o que querem em troca é proteção. Somos ruins nisso, confessemos. 

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Fico me perguntando por que alguns de nós, seres humanos, parecem ter perdido a capacidade de responsabilidade perante os animais. Até podemos não gostar de bichos e isso deve ser respeitado, no entanto, a partir do momento que um animal está sob sua responsabilidade não dá para simplesmente dispensá-lo como se ele não fosse da sua conta, pois as Adrianas, as Natashas, as Rositas, as Neuras, as Ana Júlias, as Jussaras, as Patrícias, as Maria Eugênias, as Giovanas, as Racheis, as Terezas, as Gabrielas, as Márcias, os Andrés, os Rafaeis, as Priscilas, os Heroms se sobrecarregam para dar o mínimo de dignidade a um animal abandonado.

Nix, nome provisório da pequena felina, que não deve ter ainda um ano, está com a carinha estampada em todas as redes sociais a procura do possível dono. Sim, ainda existe a esperança de que a pequena tenha saído para dar uma volta e se perdido pelo caminho. Na maioria das vezes isso não é real, mas há que sempre se apostar no lado bom das pessoas. Caso ela não seja procurada por ninguém, lá vamos nós na busca de um novo lar. 

Até quando teremos de falar sobre assuntos como esse que já deveríamos ter superado enquanto humanidade? Bem, talvez não tenhamos evoluído tanto assim. Como diz Peter Singer, filósofo australiano, num primeiro momento parece que essas pequenas infrações, como abandonar animais, não tem importância, mas ao longo do tempo além da moral de toda uma sociedade ser afetada, relevamos verdadeiramente que tipo de ser humano somos.

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