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Opinião23/07/2019 | 07h00Atualizada em 23/07/2019 | 07h00

Adriana Antunes: Maesa

Não somos capazes de reconhecer e proteger nossa história arquitetônica

Das coisas do tempo em que estive na Secretaria da Cultura, uma das que mais sinto falta são as reuniões do Compahc. Estive presente em todas, não somente porque era meu dever enquanto representante do município, mas principalmente por minha responsabilidade enquanto cidadã que nasceu e mora neste município. Quem me conhece sabe que sempre defendi a ideia de que a estética é fundamental para a nossa civilidade. 

Estética que se processa por meio da preservação arquitetônica histórica e cultural. E estética aqui mencionada a partir dos gregos, relacionada às questões de percepção, sensação e sensibilidade, ou seja, para muito além dos conceitos de senso comum do que é belo e do que é feio. 

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Poder pensar o lugar em que moramos, para além do básico que é ter uma moradia que nos proteja do tempo e da violência cotidiana como um espaço para viver. Sim, morar é diferente de viver. Podemos morar em muitos lugares, geralmente de passagem. Pode ser numa casa, num hotel, na casa de alguém, de aluguel, na rua, aqui ou lá. Podemos morar em muitos lugares e isso também é morar em lugar algum. 

Viver é apropriar-se do espaço. É ocupar(se) com o dentro e o fora. É decidir transformar o vazio em pleno. É estar num lugar onde se queira viver por muito tempo. É guardar as malas e sentir-se que se está no lugar certo e na hora certa.

Nesse sentido é de suma importância que os espaços que são destinados aos tombamentos tenham incentivo para se reintegrarem de volta ao tempo, caso contrário, serão mausoléus a céu aberto, deteriorando o espaço, corroendo a memória e sendo feridos em suas simbologias. Conheço inúmeras pessoas que imprimem seus esforços para que Caxias revitalize seus espaços antigos, resgatando sua vida e história. Os que conseguem ultrapassar a fronteira da falta de conhecimento e incentivos transformam-se outra vez em lugares que revelam nossa natureza mais íntima e capacidade de convivência com o outro.

A arte, neste sentido, aqui compreendida como também arquitetura e planejamento urbano, nos afasta da barbárie. A arte humaniza os espaços, reconfigura o trajeto do nosso olhar, balanceando nossa incivilidade, nossas raivas, desesperos e intolerâncias com a capacidade humana de criar beleza. Gostamos de viajar para fora do país e admirar como os outros protegem seus espaços da corrosão do tempo e da bestialidade, mas não somos capazes de reconhecer e proteger nossa história arquitetônica. A Maesa é exemplo disso. Falta envolvimento do poder público, inclusive emocional e de pertencimento, mas falta a todos nós que não somos capazes de fazer um barulho suficientemente ensurdecedor para que o gigante finalmente acorde e não deixe aquele espaço maravilhoso morrer.

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