Tríssia Ordovás Sartori: Planos frustrados pela velocidade da vida, quem nunca? - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião14/06/2019 | 20h13Atualizada em 14/06/2019 | 20h13

Tríssia Ordovás Sartori: Planos frustrados pela velocidade da vida, quem nunca?

Fiquei pensando em como isso é comum 

Tríssia Ordovás Sartori: Planos frustrados pela velocidade da vida, quem nunca? Fábio Panone Lopes, Especial/
Foto: Fábio Panone Lopes, Especial
Tríssia Ordovás Sartori
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

Histórias de amor, vida e morte quase sempre mobilizam pessoas. Se elas acontecerem simultaneamente, então, o interesse é ainda maior. Por isso, a história de Priscila, 16 anos, chama tanto a atenção.

Em uma das manifestações da greve na manhã de sexta-feira, a adolescente entrou em trabalho de parto antes do previsto – e longe do local escolhido para dar à luz. Saiu de Ana Rech acompanhada pela mãe e ficou presa no bloqueio de veículos na BR-116, no bairro São Ciro. Precisou ser resgatada por um policial rodoviário, que a levou ao Hospital Geral, onde ganhou Cecília cerca de uma hora depois. As duas passam bem.

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Priscila queria ter o bebê em Vale Real, para ficar perto da família materna, e o procedimento estava até agendado. Fiquei pensando em como é comum termos planos frustrados pela velocidade da vida. Em como a preparação pode não dar os frutos desejados, porque o imponderável pode se interpor a qualquer momento.

A urgência não abre margem para julgamentos e preconceitos – talvez seja a melhor lição de todas.

***

Por falar em preconceito, como é bom ver a Copa do Mundo de futebol feminino sendo transmitida na tevê aberta e o engajamento em torno do assunto crescendo. Tem gente descobrindo Andressinha, Cristiane, Formiga, que disputou impressionantes sete mundiais e, claro, a rainha Marta, a melhor de todos os tempos. É lindo ver que futebol é, sim, para mulher – assistir, comentar e jogar.

Quando estava no ensino médio, adorava jogar futebol nas aulas de educação física e estendi a prática do esporte para alguns anos depois. Não era muito popular, mas a gente não tinha muita noção de que estava dando um passo importante, de protagonismo. Quando comecei a trabalhar no jornal – já estou aqui há 16 anos – tínhamos um time muito legal que se divertia aos sábados pela manhã. Mas foi acabando, porque as mulheres sempre precisavam fazer algo mais urgente e jogar bola estava longe das prioridades. Ficava cada vez mais difícil reunir a galera e, aos poucos, a prática foi sumindo. Futebol, agora, só pela tevê.

Gosto de pensar naquele tempo como um momento de resistência, despretensioso e que serviu pra mostrar que podemos estar, fazer e atuar em todo e qualquer lugar. 

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