Gilmar Marcílio: aprenda a esquecer - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião07/06/2019 | 07h00Atualizada em 07/06/2019 | 07h00

Gilmar Marcílio: aprenda a esquecer

Até que ponto conseguimos nos abastecer com a tolerância?

Bons relacionamentos são aqueles em que as mágoas não atravessam a noite. Você pode ter tido uma discussão que raspou o afeto que sente por alguém, mas isso não despertará o ressentimento. É natural acontecerem oscilações emocionais, pois nossos humores também variam e nem sempre respondemos de maneira adequada a amigos, colegas, maridos e esposas. Acabamos agredindo gratuitamente só porque esbarrou em nosso caminho numa hora inadequada. Mas, como saberiam que estávamos interiormente debilitados? Não podemos contar só com a razão quando alguns impulsos primitivos tomam as rédeas e provocam agressividade. Entre os casais, a prática de cada um observar a si mesmo com acuidade e sincero desejo de mudança não costuma ser vista com frequência. Mais fácil é apontar o dedo acusador e continuar com a briga. Deixamos de lado a possibilidade de reavaliar nossas atitudes, alterando padrões de comportamento. E quantos alimentam propósitos de represália por meses, anos. Encastelam-se em seu orgulho estéril, até com certo prazer em se definir como vingativos. Tenho pensado em como é importante fazer tábula rasa de tudo. Por que ficar repisando o que não tem mais relevância? É uma tortura que incomoda ambas as partes.

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Que admirável capacidade humana a do esquecimento! Jogar para o inconsciente o que poderia ser motivo de discussões acaloradas. Até porque nunca sabemos exatamente o que leva uma pessoa a agir de determinado modo. Mas quando algo nos desagrada, ficamos bem despertos para cobrar do outro o que nos parece errado. Pense comigo: vale realmente a pena gastar um tempo precioso de nossas vidas sustentando isso? Tudo fica bem mais leve quando aprendemos a fazer ouvidos moucos. Devemos seguir a passos largos em busca da aceitação. Aconteceu algo que não gostaríamos? Paciência. Mais adiante será a nossa vez de recorrer ao perdão alheio. E de esperar uma maior compreensão, abolindo um exaustivo discurso.

Tudo passa tão rápido. Carregar esse fardo é sinal evidente de um tipo de inadequação mental da qual não devemos nos orgulhar. Façamos revisões periódicas para ver até que ponto conseguimos nos abastecer da tolerância. E que ela não gere em nós nenhum sentimento de superioridade. É nosso dever relativizar o que nos causa dor, paralisando o crescimento. Quando fizermos isso, passaremos a ser menos severos, aceitando o fato de que o erro faz parte do DNA humano. Se alguém diz algo que te chateia, tente ficar sozinho para repensar o que ocorreu. Assim, o cérebro reencontra mais facilmente seu equilíbrio, entrando em acordo com o bom senso. É ele que precisamos acessar para agir melhor da próxima vez.

Não registre só o que lhe parece negativo. Nutra a alma com sentimentos mais solares. Eles são o sal da terra que cada um precisa para ser feliz.

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