Tríssia Ordovás Sartori: O tempo passa rápido demais e se a gente só o deixar passar, perde o essencial - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião31/05/2019 | 16h02Atualizada em 31/05/2019 | 16h38

Tríssia Ordovás Sartori: O tempo passa rápido demais e se a gente só o deixar passar, perde o essencial

A gratidão pelo ordinário aparecia o tempo todo, antes mesmo de a palavra virar moda 

Tríssia Ordovás Sartori: O tempo passa rápido demais e se a gente só o deixar passar, perde o essencial Fábio Panone Lopes, Especial/
Foto: Fábio Panone Lopes, Especial
Tríssia Ordovás Sartori
Tríssia Ordovás Sartori

trissia.ordovas@pioneiro.com

O Facebook sinalizou que fazia cinco anos desde que uma das capas mais especiais que fiz para o Almanaque foi publicada, em maio de 2014. Ela trazia cinco mulheres de diferentes perfis e idades, que haviam vencido o câncer de mama, sorridentes e envoltas apenas por um cetim rosa. Algumas tinham cabelos muito curtinhos, sinalizando o recente fim da quimioterapia, e todas estavam radiantes. 

A capa fazia referência a um ensaio de moda, produzido com a ajuda de profissionais queridos, em que as mulheres escolheram a personagem que gostariam de ser. A ideia era falar de plenitude, mostrar pessoas além da sua doença, dar a chance para que se vissem — e mostrassem para todo mundo — como gostariam de ser vistas desde então.

A sessão durou um dia inteiro e foi muito divertida. Relatos das participantes, na época e agora, mostraram que elas passaram a se sentir mais inspiradoras. Isso é emblemático: elas já tinham uma história de superação fantástica, como não seriam vistas assim? O assunto é recorrente por aqui, mas não é raro que a gente demore para reconhecer isso em nós mesmas. Bom é que sempre aparece alguém para nos fazer lembrar.

O viver do quinteto era pleno, elas não deixavam o que era realmente importante para amanhã. Celebravam a vida, a companhia das pessoas amadas, sem precisar de datas especiais para fazer isso. Pequenos problemas não lhe tiravam mais o sono. E a gratidão pelo ordinário aparecia o tempo todo, antes mesmo de a palavra virar moda. 

Passados esses poucos anos, duas delas não estão mais aqui: deixaram um legado de luta e inspiração para várias gerações. Permanecem nos outros — não é isso que faz nossas histórias durarem?

Para mim, a foto também trouxe um sentido de urgência. O tempo passa rápido demais e se a gente só o deixar passar, perde o essencial: os encontros, as celebrações, as conversas e a vida compartilhada. Os amigos que a gente diz que vai encontrar, os abraços que a gente promete trocar, as visitas que a gente planeja em fazer, não servem para nada se não deixarem de ser promessas.

Angelica, Claudete, Doris, Isabel e Tatiana, obrigada por reforçarem o que é importante e não deixaram esquecer a urgência de aproveitar a vida.

 
 
 

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