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Opinião10/05/2019 | 14h05Atualizada em 10/05/2019 | 14h21

Pedro Guerra: retornos imediatos

É preciso respeitar cada dor, entender que as ideias, objetivos e querências mudam dia após dia

Pedro Guerra: retornos imediatos Antonio Giacomin/
Foto: Antonio Giacomin

Quando o meu primeiro amor chegou ao fim, eu quis exterminar do mundo quem inventou aquela frase que “ninguém morre de amor”. A dor era latente, o futuro era incerto. Eu estava convencido de que não saberia viver sem aquele relacionamento e que a sensação ruim habitaria em mim para sempre. Quando me disseram que só o tempo me curaria, então, tive que me segurar para não responder com um palavrão caprichado.

Somos naturalmente impacientes, esse é um fato que piora a cada dia. Diga para uma criança nascida nos anos 2000 que antigamente tínhamos que esperar dias até revelar um filme para conferir o resultado das fotos tiradas e ela vai achar que é piada. Estamos buscando, mais do que nunca, retornos imediatos.

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Dar tempo ao tempo é algo que ninguém aceita. Mas deveria. Ainda falando sobre amores, descobri (com muito tapa na cara, sim) que não temos o poder de acelerar a cura de nenhum ferimento – metaforicamente falando. É preciso respeitar cada dor, entender que as ideias, objetivos e querências mudam dia após dia. E, com isso, amores vêm e vão.

Talvez seja tão difícil entender que o tempo é necessário porque nós aprendemos a odiá-lo. Vivemos em filas de bancos, retiramos senha para aguardar em qualquer estabelecimento que entramos, somos obrigados a aturar irritantes esperas telefônicas para resolver problemas minúsculos, e somos literalmente encaixados em um espaço de 15 minutos na agenda abarrotada do médico mais procurado da cidade quando é ele quem está sem tempo e precisamos ser atendidos.

A vida é feita de esperas. Vivemos esperando por amores que não sabemos quando virão, por ônibus que podem estar do outro lado da cidade e não fazemos ideia, por finais de semana que quase sempre tardam a chegar (e quando chegam, logo somem).

Semana passada eu estive no plantão. Minha garganta doía, mas provavelmente o nariz sangrando da garota ao meu lado era uma questão muito mais urgente. Entendi, naquele tédio pavoroso de hospital, que nenhum retorno é imediato. O tempo descansa e passa a se arrastar quando pensamos muito nele, mas ele decide correr quando a última coisa que pensamos é que o tempo está passando. Confuso, não? Afinal, quanto tempo leva para entendermos o sentido do tempo?

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