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Opinião24/05/2019 | 14h09Atualizada em 24/05/2019 | 14h09

Nivaldo Pereira: ventos de palavras

 Sons articulados na fala ou correspondentes marcas gráficas na escrita invocam imagens na mente e criam significados

Nivaldo Pereira: ventos de palavras Luan Zuchi/
Foto: Luan Zuchi
Nivaldo Pereira
Nivaldo Pereira

nivaldope@uol.com.br

Ventos de maio anunciam Gêmeos. É signo de ar, elemento por onde voa o deus Mercúrio, aquele de asas nos pés. Depressa, depressa, como o pensamento, Mercúrio nomeia as coisas, conecta mundos, instaura a comunicação. Mercúrio inventa a palavra, dom de Gêmeos. E que invenção! Sons articulados na fala ou correspondentes marcas gráficas na escrita invocam imagens na mente e criam significados. Disso surge a linguagem, a nos inventar e ligar. Aqui escrevo "dragão", e em sua cabeça, leitor, aparece o bicho mitológico. Magia geminiana!

Diz o mito bíblico que Deus criou todos os animais e, então, pediu a Adão que os nomeasse. E a criação se completou com os nomes atribuídos pelo homem, de acordo com as características de cada espécie. Por falar nisso, essa passagem do Gênesis inspirou o geminiano Bob Dylan na canção Man Gave Names to All the Animals. Por falar nisso, essa música já ganhou duas versões em português. Por falar nisso... Assim funciona a mente, por associações entre palavras e pensamentos. O deus de pés alados vive voando por aí, espalhando palavras no vento.

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E a palavra "palavra" me traz à lembrança minha mãe cantando um antigo hino católico que diz: "Palavra não foi feita para dividir ninguém, palavra é uma ponte onde o amor vai e vem". Ah, mãe, que pena! Parece que perdemos essa dimensão milagrosa da palavra como ponte e conciliação. Na era mais conectada da história humana, em que os meios de comunicação se ampliam como nunca, tantas lindas palavras se esvaziaram de seus sentidos. Amor? Respeito? Partilha? O que significam mesmo?

Nas redes ditas sociais, palavras viraram adagas e punhais, prontas a rotular, isolar, machucar. O que vale é ter opiniões firmes. O que vale é gritar sem escutar. O que vale é ter a última palavra. Ah, gente estúpida! Se a sofisticada capacidade de comunicação foi a condição da soberania do homem no planeta, por que reduzir essa faculdade a uma mera defesa egoísta?

Por falar nisso, a onda de filmes e séries sobre mudos zumbis deve estar nos dizendo algo muito sério. Vamos dar mais vida e valor às palavras?

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