Ciro Fabres: minha mãe e a cultura de paz - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião08/05/2019 | 07h00Atualizada em 08/05/2019 | 07h00

Ciro Fabres: minha mãe e a cultura de paz

Naquele tempo, minha mãe pegou-me por uma das pernas e fincou-a na realidade

Ter sonhos e ideais é muito bom, imprescindível. Decisivo até. Sonhos, tantas vezes, ficam restritos à esfera individual, sonhos pessoais. Um célebre compositor deixou eternizado certa vez que sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, e sonho que se sonha junto é realidade. Ideais parecem um pouco mais amplo, mas que coisa fora de contexto hoje em dia, não é mesmo?... Quem quer saber de ideais? Coisa antiga, remete ao século passado. Hoje é tempo de cultuar a tecnologia, embora uma coisa possa conviver com a outra.

Fato é que sonhos e ideais já estiveram no centro do debate. Deixamos que saíssem de cena, terrivelmente. Naquele tempo, minha mãe pegou-me por uma das pernas e fincou-a na realidade. Procurando aproveitar as delícias da juventude, o vento da liberdade a bater no rosto, saía a viajar por aí com uma pequena sacola, com quase nada dentro. Minha mãe ponderou: “Leva, no mínimo, outra muda de roupa. E se você derrubar café na calça?” Pois é, nunca, até então, havia pensado nisso. A tal realidade. Tive outro amigo especial, muito prático, que ponderou: “Sim, ter ideais é ótimo, mas é preciso ganhar o dinheiro necessário.”

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Cheguei até essas divagações retroativas a partir de uma provocação sobre o Dia das Mães que se aproxima: o que vem a nossa mente quando o assunto é pensar na mãe?, foi a questão proposta. No meu caso, lembrar, pois ela já se foi há 5 anos. É um bom exercício. Pois bem, há os gestos inesquecíveis, de amor, cuidado, de estar junto, que remetem à gratidão. E há os ensinamentos. Os gestos pontuam toda a convivência possível. Então vieram-me à mente os ensinamentos. Esse que relatei acima foi um deles.

Mas há outro que me foi deixado, precioso neste tempo de embates belicosos e agressivos, tantas vezes por nada, por falta de jeito e disposição para a conversa e o entendimento. Disse-me certa vez minha mãe, quando testemunhava ou ficava sabendo ou até se envolvia em uma discussão improdutiva, beirando o incontornável, que ameaçava descambar: “Quem puder calar, que cale.” O conteúdo, de forte aparência conformada ou resignada, revela-se na verdade um precioso exercício de cultura de paz. Porque desarma a bomba do conflito. Cultura de paz é tudo do que precisamos para sair do buraco em que nos metemos.

Nesta semana do Dia das Mães, divido essas passagens que guardo como tesouro e farol. Lembro de minha mãe todos os dias. A gratidão seria um dever, mas muito melhor quando ela é espontânea. Fica a sugestão: aproveite sua mãe.

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