Ciro Fabres: há 30 anos - Cultura e Tendência - Pioneiro

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Opinião29/05/2019 | 07h00Atualizada em 29/05/2019 | 07h00

Ciro Fabres: há 30 anos

Havia o Calçadão na Praça Dante, e era bem melhor. O Teatro de Lona acumulava shows de fazer inveja

A Sinimbu não era asfaltada há 30 anos, e o trânsito na via era em duas mãos entre a BR e a Treze de Maio. Um caos. Ainda não havia as perimetrais. Praticamente não havia asfalto em Caxias, uma cidade toda de paralelepípedos. A Sinimbu foi a primeira longitudinal a ser asfaltada.

Havia o Calçadão na Praça Dante, e era bem melhor. Lembro-me que me sentei em um banco do Calçadão nos primeiros dias para ver a cidade passar.

O Teatro de Lona ficava na região onde hoje está o Enxutão e acumulava uma coleção de shows nacionais de fazer inveja. De Caetano Veloso a Milton Nascimento, passando por Legião e Paralamas.

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Seguia-se ao Litoral pela Serra do Pinto. Mansueto Serafini era o prefeito.

Ainda funcionavam os cines Central, na Praça Dante, Imperial, na Visconde, Vêneto, na Júlio, e o Ópera, que virou estacionamento.

Inacreditável, não havia shoppings, nem uber, nem smartphones naquela época. Como era possível viver? Pois acreditem, tinha mais graça.

O bar da moda era o Voo Livre, na Vinte. Já havia a boate Incitatus e logo chegaria a Fórum, ali perto. E havia o Mocó da Clarabela.

Os Carnavais empolgavam nos salões do Reno, do Cruzeiro, do Guarany, do Rodoviário, o Recreio da Juventude fazia seus bailes.

Havia a sede social do Cruzeiro e as boates dominicais do Roda Viva.

A Hermes Macedo funcionava na Sinimbu, onde hoje é a Igreja Universal. Havia o Súper Calcagnotto no outro lado da Sinimbu, em frente ao São Carlos.

Minha primeira refeição em Caxias fiz no Garfield, na Visconde, ao lado dos Correios.

Havia o Miseri Coloni e o Nanetto Pipetta.

A Casa Rosa na Chácara dos Eberle reluzia, um cenário visível a todos que passavam pela Alfredo Chaves.

Caxias e Juventude disputavam a Série B. Beto Almeida era o técnico do Ju. Chiquinho era o do Caxias.

Assim era a Caxias que encontrei naquele tempo.

Onde você vai estar daqui a 30 anos? No caso, em 2049. Esta pergunta não me fiz em 31 de maio de 1989, quando desci um tanto zonzo de um ônibus que me trouxe de Lages, dei de cara com o prédio da Antarctica e fui buscado no estacionamento por um motorista do Pioneiro. Onde estaria eu em 2019? Na época, 30 anos mais jovem, a gente não pensa nessas coisas. Se tivesse me proposto a questão, não me imaginaria a digitar essas linhas, com alguma emoção e reconhecimento.

Só tenho a agradecer a esta cidade e região que se mostraram a mim e tão bem acolheram a este forasteiro.

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